''Eu tenho meus motivos pra ser exatamente do jeito que eu sou, acredite.''

sábado, 14 de novembro de 2009

Sessão de sábado

Sete homens e um destino

Nada melhor numa tarde de sábado que um bom filme, gosto de filmes antigos e tentando ordenar meus dvds encontrei essa pérola que ainda não havia assistido. No início não estava pois estava atenta na história pois me concentrava nos filmes que precisava arrumar, mas o filme ao pouco foi me prendendo a atenção que voltei ao início, me recostei em algumas almofadas (no chão mesmo) e fiquei me deliciando com esse western. Deixo essa dica a vocês... bom filme!


The magnificent seven
Direção de John Sturges
1960 : EUA : 126 min
Com Yul Brinner (Cris Adams),
Eli Wallach (Calvera),
Steve McQueen (Vin),
Charles Bronson (O'Reilly) e
James Coburn (Britt).
Música de Elmer Bernstein

No oeste lendário, o homem defendia seu espaço com sua coragem e uma arma. A lei e a ordem ainda não existiam nesse mundo arcaico onde não se pensava em justiça, mas apenas em sobrevivência. Todavia, mesmo com toda a brutalidade do oeste, alguns homens buscavam uma razão maior para suas vidas. Nesse filme, sete homens lutam por redenção.
Em uma região poeirenta do México, um pequeno povoado é frequentemente saqueado pelo bando errante do temido Calvera, que toma o cuidado de deixar os colonos à míngua, mas sem matá-los, porque quer que eles continuem plantando e colhendo para o bando. Após um novo saque, os colonos resolvem dar um basta na situação e, para isso, contratam o serviço de sete mercenários, homens de pouco escrúpulo e ótima pontaria. O pagamento prometido aos sete mercenários é mínimo, mas cada um dos sete aceita a empreita por motivos próprios. Cris é um altruísta capaz de praticar boas ações, Vin enxerga no serviço uma fuga do marasmo e alguma ação, Wallace se ilude de que há muito dinheiro envolvido na jogada, O'Reilly está sem um tostão e disposto a encarar qualquer trabalho, Britt não se importa com dinheiro e só quer encontrar novos desafios para sua perícia, Lee está em crise consigo mesmo e quer testar sua própria coragem e Harry é muito jovem e quer se auto afirmar como homem durão.



Os sete pistoleiros treinam os colonos para o confronto, mas o resultado não é animador. Há diferenças visíveis entre os dois grupos. Os pistoleiros não simpatizam com os colonos e vice-versa, só que o convívio entre eles, conflituoso em muitos aspectos, acaba transformando a todos. Depois da preparação, vem a batalha. Colonos e os sete pistoleiros enfrentarão o bando do astuto Calvera e, então, as coisas acontecem. Em um certo momento, os pistoleiros terão que decidir se continuam a ser mercenários totalmente indiferentes à brutalidade do mundo em que vivem, ou se colocarão suas vidas em risco por um propósito maior.


Sete homens e um destino é um daqueles filmes que agradam cariocas e baianos. Os amantes da ação vão encontrá-la de sobra. Os que querem filme com tutano encontrarão personagens densos, diálogos ágeis, enredo envolvente e a música marcante de Elmer Bernstein. Se você é um colono, vai vibrar com a transformação de homens pacatos em guerreiros. Agora se você é um pistoleiro, verá que é possível se redimir de seu passado sombrio colocando a sua coragem a serviço de uma boa causa.


De presente deixo a trilha sonora...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Diário de Bordo 4 (Buenos Aires)


Ontem a noite fiquei perambulando pelas Calles Florida y Córdoba, comprei as últimas lembrancinhas que faltavam, e encontrei um cinema onde anunciava o último filme do Álmodovar que queria assistir, Los Abrazos Rotos, gosto muito do Almodovar, mas acho que ontem não estava no clima para ele, vou lhe dar mais uma chance e assitir de novo no Brasil, com legedas claro, não sei se foi porque entendi 75% do que falavam, ( e porque quero saber porque riam tanto em uma cena que eu não vi graça alguma....rs) ou se por causa do cinema. Eu estranhei o preço do ingresso 8 pesos, havia passado defronte a um cine que eram 20 pesos, mas nenhum filme me agradou. Bom por 8 pesos, um cinema horrível. aquelas cadeiras antigas que tinhamos no Brasil uns 10 anos atrás, a que sentei ficava balançando, não tinha espaço pra esticar as pernas, só sei que em meia hora de filme queria sair correndo, mas me mantive até o final (que demorou... parece que teve 4 horas de duração), saí e vim direto para o hotel, vi que aqui você pode andar pelas ruas vazias tarde da noite e não acontece nada, sempre procurei andar pelas ruas mais centrais com movimento, mas mesmo quando andava em uma rua vazia era tranquilo, (claro com medo, coisa de paulista).
Agora estou aguardando a van para retornar ao aeroporto, meu avião parte as 13 horas mas eles virão me buscar as 9... vai ver que é pra conhecer melhor o Aeroporto Ezeiza, terei 4 longas horas.
Algumas fotos que achei interessante mas não postei nos dias anteriores.
Eu na estação de trem, restaurante Madeleine onde almoçamos após o passeio pelo rio de la Plata, essas casas coloridas em El Caminito algumas são feitas de metal, Dario nos contou que os patrões davam a chapa e eles contruíam, deve ser um forno!, e a Luciane, que conheci no show de tango, ela e o marido super simpáticos, ela viu a acrobacia que eu tentava fazer pra tirar uma foto sozinha então se ofereceu e ficamos conversando a noite toda. Trocamos emails e telefones, espero não perdermos o contato. Ah! e mora pertinho no Tremembé!
Brasil... logo estarei de volta ao meu lugar.

domingo, 8 de novembro de 2009

Diário de Bordo 3 (Buenos Aires)

Hoje foi super cansativo, o ônibus me pegou 9:30 e tivemos que pegar outros passageiros em vários hotéis da cidade, conseguimos chegar para pegar o trem da Av. Maipu as 10:30, todos subimos, mas estava tão lotado, parecia o tem da CPTM da zona leste... ai a guia pediu para que todos descessem, foi a maior confusão, conseguimos pegar os das 11 horas bem mais vazio, descemos algumas estações depois no Bairro de San Izidro onde ficamos 1 hora passeando e fazendo compras (tem uma feira de artesanato que nada me atraiu...) tomei um helado (sorvete) no Fredo, e partimos de onibus novamente ate o Municipio de Tigre onde tomamos uma embarcação que nos levaria de volta a Buenos Aires no bairro de Porto Madera, a viagem durou 1 hora e 45 minutos.... já não aguentava mais ver aquela agua marrom, (ela e limpa, mas a terra revolvida pelos movimentos dos barcos a deixam com essa coloração), chegamos enfim a Puerto Madera onde almoçamos. A guia disse que deveríamos voltar sem ela, o passeio acabava ali, mas que era perto, após o almoço resolvi voltar andando para conhecer os arredores... nossa.... como andei... me perdi... cruzei com uma passeata de bicicletas e o mais interesssante, todos os carros tendo que voltar de marcha a ré... não 5... muitos...... rsss parecia um filme quando voltamos a cena em camera lenta...rs
Enfim cheguei ao meu hotel as 16:30 cansada de tanto andar....
A noite volto a Avenida Córdoba onde tem muito movimento para apreciar a minha última noite em Buenos Aires....
Hasta Pronto!

sábado, 7 de novembro de 2009

Diário de Bordo 2 Buenos Aires


Hoje foi "tudo de bom", Darío meu guia, é um ótimo historiador, hoje aprendi muito sobre a história Argentina.

O metrô aqui chama-se Subte, é separado por letras A,B,C,D,E e por cores.
Buenos Aires tem muitos casarões
antigos que antes eram enormes mansões de pessoas ricas e influentes de todas as partes do mundo. Durante a Grande Depressão de 29, quase todos tiveram que vender seus imóveis. A própria embaixada brasileira era uma dessas mansões.

Os jovens encontraram um jeito bem criativo de ganhar dinheiro, passear com cachorros... rs Isso daria certo aí no Brasil...

Essa flor é demais!!! Feita de 2 toneladas de metal... durante o dia ela se abre ficando com um diametro (que agora eu esqueci,,,rs) e a noite ela se fecha...

Ah.. a Plaza Inglesa, é uma réplica do Big Ben que a Inglaterra presenteou a Argentina no aniversário de seu centenário, tem um lindo jardim em volta, mas seu nome está para ser mudado, após a Guerra das Malvinas a praça será em homenagem aos mortos nessa guerra.

Esse Monumento de La Mala Suerte... a história de sua construção é hilária, primeiro o mármore carrara ficou preso no porto de Florianópolis, demorou anos pra chegar até Buenos Aires, depois o primeiro escultor que começou a obra morreu, o segundo que tentou dar continuidade a obra morreu também, o navio que trazia as estátuas de bronze afundou, mas conseguiram recuperar 4 das 7 originais, quando a obra estava "pronta" o braço da estátua caiu com um vendaval, os moradores evitam de passar pelo monumento pois acreditan na "mala suerte" dele, levou 27 anos para ser concretizado.

Este monumento a Evita foi construído enquanto ela ainda vivia, está retratada magra por causa do cancêr e dando um passo à frente, pra mostrar que sempre foi uma mulher corajosa e à frente de seu tempo.



La Plaza de Mayo y
La Casa Rosada, dois lugares históricos de B.A, o primeiro é onde ocorrem as manifestações na cidade, não durante o dia como em Sampa (Paulista), mas sempre à noite, com direito a panelaço e tudo, a propósito hoje é a noite da Passeata Gay em B.A., a Plaza de Maio é onde se reunem também as mães que perderam seus filhos durante e após a ditadura militar, segundo Darío elas foram indicadas ao Prêmio Nobel da Paz.

A Casa Rosada, sede do governo argentino, existem duas histórias sobre a "cor rosada" uma é que existiam dois partidos rivais, um era branco e outro vermelho, e com a fusão dos dois aparece a cor rosada. Outra história é
que as casas precisavam ser impermeadas, então pegava-se o sangue do boi, a gordura e cal, a mistura deles (rosa) eram pintadas todas as casas e muros da cidade.
Fui é claro no Bairro de La Boca, onde está o Estádio de La Bombonera sede do Boca Juniors, (leva esse nome por ser parecido com um bombom), lá fui cumprir a "missão" de tirar uma foto com o "manto sagrado", e claro ao lado da estátua de Diego Maradona, e em Caminito rua tracidional do bairro.

A noite como não poderia deixar de ser, fui
ao "show de tango", na primeira foto é somente da aula... na segunda é após a aula e duas taças de vinho....rs
O show é espetacular, Darío nos
contou a história do tango, que iniciou com a união de vários imigrantes, cada um com seus instrumento em particular, sanfona, viola, piano, etc...
Aquelas mulheres não dançam, voam, até parece uma da
nça ninja...rs Ah.. continuando a história do tango... no inicio quem dançava era somente as prostitutas, a alta sociedade de B.A, não aceitava, depois a dança foi para Paris, virou moda e também na alta sociedade daqui.
Atrás do homem de preto sou eu... tentando dançar..rs(ele é o professor Hugo), ganhei até diploma!
Uma parte interessante que Dario me contou e que desconhecia, a ausência de negros em B.A. primeiro muitos morreram com a febre amarela trazida pelos soldados depois da Guerra do Paraguai, os que sobreviveram foram obrigados a lutar numa guerra que os argentinos promoviam contra os índios para tomar a Patagônia, eles iam na frente sem armas então eram mortos pelos indígenas e se voltassem pelos soldados.. pronto, feito o extermínio dos negros.
Hasta mañana em que irei andar de barco pelo Rio de la Plata... Besos

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Diário de Bordo (Buenos Aires)


Essa é minha primeira viagem "internacional", a primeira de muitas espero.
Meu celular aqui nem sinal!!! O Vivo está morto! O Oi... então..

No translado aeroporto/ hotel,
tentei uma conversa em espanhol ...
com o motorista... mas ele respondia em monossílabos...rs
Ou estava me expressando mal..rs
Perguntei a ele se "El barrio de La Boca es lejos? respondió que del centro es 3 km. E só.. voltou a total mudez.

O Hotel é muito bom,
"Posta Carretas",
na Av. Esmeralda, bem no centro de Buenos Aires, minha suíte é a Ninio. Só uma coisa me decepcionou... deixei Sampa com um calor imenso... e chego em B.A. com chuva!!!

Fui andando sem rumo e encontrei a Plaza San Martí ( o liberdador da Argentina). Tem uma avenida Avenida Del Libertador que corta a cidade de norte a sul.



Fiquei com receio de entregar a máquina a alguem para tirar foto.. e ele sair correndo...rs
Hoje recebi uma nota falsa de 20 pesos em uma loja.. depois dessa, desconfio até de "la policia"..rs
A avenida Corrientes tem muitos teatros e cinemas, e está com peças ótimas.


Por la noche fué en Avenida Nueve de Julio, es a más larga del mundo!! Ops... ya estoy hablando portuñol...rs
Essa avenida tem 16 pistas... como estava de salto... básico.. nem tentei atravessar... mas tirei fotos do Obelisco que fica lindo a noite. Aqui a vida noturna é intensa, os cafés com as mesinhas nas calçadas, todos praticamente lotados, quando cansei de andar entrei num Mac Donalds (que aqui tem um a cada esquina) e tomei um Helado con trocitos de choco.. Não pensem besteira... um Sorvete com pedaços de chocolate....rs

Besos a todos! Hasta Mañana!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A bolha



Coitadinho do Obama, a mídia está falando mal dele e tirando seu sono de Messias.
Luiz Felipe Pondé (Folha de SP 02/11/09)

Prometi para mim mesmo que não ia falar sobre o ridículo Prêmio Nobel dado a Obama, mas como não tenho palavra mesmo e como nunca cumpro promessas (principalmente feitas a mim mesmo , alguém que, afinal de contas, não merece todo esse deferimento moral), estou eu aqui capitulando e falando desse populista chamado Obama.
Quando foi eleito, escrevi nesta coluna que ele era uma bolha que provavelmente não ia dar em nada. Posso estar enganado, como quase sempre estou (sou um péssimo profeta), mas, até agora, responda-me, caro leitor, a que veio ele? Deveria sim se candidatar a secretário-geral da Unicef e ficar visitando crianças famintas na África. Seus dias estarão contados quando os americanos descobrirem que seu verdadeiro sonho é ser o primeiro presidente negro da Noruega.
Recém-chegado de Israel, local marcado pela necessidade de paz, lá tive a oportunidade de acompanhar um pouco o que a mídia local sente diante desse ridículo Nobel da Paz dado a alguém que nada fez além de blábláblá até agora. Obama só conseguiu fazer discursos por aí deixando todo mundo com gosto de coito interrompido na boca.
No Egito, ele falou de como a cultura muçulmana foi importante para o mundo. Será que os egipcios nunca estudaram a Espanha medieval? Iraque e Afeganistão estão piorando nos últimos meses. Sua incapacidade em resolver o problema do Irã se assemelha à incompetência de Jimmy Carter no caso da captura da embaixada americana em Teerã. E olha que o Carter fez Camp David (acordo de paz entre Israel e Egito)! Coréia do Norte vai mal, obrigado. O que mudou de Bush para cá? Os aeroportos americanos estão mais dóceis com os turistas?
Na minha humilde opinião de não especialista em paz mundial (entendo um pouco melhor sobre a guerra, porque a julgo um estado mais natural da condição humana), arriscaria dizer que os líderes da oposição iraniana mereciam mais esse prêmio, ou mesmo nosso querido Lula nos seus esforços de evitar males maiores causados pelo bobo venezuelano El Chavez e seus anões bolivarianos.
Ou quem sabe Tony Blair e Bush, no sucesso em evitar mais ataques no Ocidente. Ou então declarassem que ninguém merecia o Prêmio Nobel da Paz este ano e "acumulassem" (assim como na Mega Sena) dois prêmios para o ano que vem. quem sabe alguma tragédia inesperadaos iluminaria na futura escolha.
O problema é que qualquer decisão tomada na Escandinávia sobre a dureza do mundo parece aconselhamento sexual dado por virgens que detestam sexo para prostitutas, essas nossas parceiras ancestrais. Que Deus as proteja. Quantas vidas solitárias elas já não salvaram?
O grande feito de Obama, até agora foi criar uma imagem de si mesmo como a pessoa mais legal do mundo. Além de salvar o mundo em todo café da manhã, aposto que manda flores pra Michelle todo dia.
A impressão que tenho é que ele, antes de falar qualquer coisa, faz uma pesquisa sobre o que as pessoas que vivem de bolhas de esperança querem ouvir. Uma hora dessas vai declarar obrigatório a adoção de cachorros vira-latas pela comunidade internacional.
Sua realização até agora tem sido cultivar sua própria imagem. Algum assessor deveria avisá-lo que a campanha acabou e agora é a hora de acordar cedo e fazer a roda do rato girar, como todo desgraçado que trabalha e não só faz campanha.
Mas o fim da picada mesmo foi a perseguição à mídia e à Fox News. Coitadinho do Obama, a mídia está falando mal dele e tirando seu sono de Messias.
Veja, caro leitor, você se lembra (mesmo que não alimente qualquer simpatia pelo Bush) como a mídia detonou Bush em seus últimos anos de Casa Branca? Até a Rádio Internacional da República da Banana fez um dossiê de como Bush foi o pior governante depois de Hitler.
Acho que mesmo sua mãe deve ter lamentado tê-lo dado de mamar. Alguém se lembra dele ter declarado a mídia "persona non grata" e buscando soluções tipicamente populistas, como se apresentar como vítima de complôs? E mais: não é só a mídia, mas os empresários também estão atrapalhando sua missão de salvar o mundo.
Você percebe a semelhança com El Chavez na sua atitude para com a Fox News? Claro que ele não pode mandar fechar a emissora como Chave faz, mas pode difamá-la, tatica comum em autoritários fingidos. Sua sorte é que ele é negro (afro americano para os mais sensíveis), porque, se não fosse, já teria dançado. Como toda bolha, está vivendo de crédito.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Malone Morre

LUIZ FELIPE PONDÉ
Folha de SP 26/10/09
"Malone Morre"

Num desses dias cinzentos, quando o mundo parece alimentar em você aquela certeza de que a lógica do pior é a lógica do mundo, tropecei na citação: "Antes de mais nada, quero dizer que não perdoo ninguém. Desejo a todos uma vida atroz nos fogos do gélido inferno e nas gerações execráveis que hão de vir". É Samuel Beckett em "Malone Morre".
Muita gente acha que a literatura de Beckett existe pra escrevermos teses complicadas sobre como a época em que ele viveu foi descrente porque só se pensava em ganhar dinheiro numa Europa que se afundava no capitalismo americano, pós-Segunda Guerra.
E aí passamos a xingar a burguesia e sua breguice famosa e vazia. Eu nunca xingo a burguesia porque temo que o faça por inveja. Eu acho que textos como esse servem para nos manter de olhos abertos para o risco de que o coração resvale na descrença absoluta acerca da vida fora da miséria que escorre pelos muros do mundo.
O pessimismo é uma geometria do mundo quase uma ciência exata. Não acredito que a questão de Beckett fosse apenas um desespero "político-social". Se assim fosse, ele seria um escritor menor. O desespero só merece respeito quando vai muito além do político-social e escurece o Sol.
Em meados dos anos de 1990, quando vivia em Paris por conta do meu doutorado, encontrei-me um dia com o filósofo Alain Finkielkraut num daqueles "cafés-cabeça" do Boulevard Saint German. Ele se dizia um pessimista. Discutíamos a literatura e a tendência, já forte na época, de afogar as letras no desejo brega de felicidade que hoje em dia satura o ar com seu fedor.
Para ele e também para mim, era claro que grande parte da culpa disso era da esqueerda e sua natural vocação para esperanças bobas, quando se afasta de autores mais pessimistas como Adorno. Sempre suspeitei que o pessimismo fosse um desbunde, para a incompetência ou para a preguiça.Para ele e também para mim, era claro que grande parte da culpa disso era da esquerda e sua natural vocação para esperanças bobas, quando se afasta de autores mais pessimistas como Adorno.
Seu argumento era muito parecido com o do escritor tcheco Milan Kundera: um romance deve criar dúvidas sobre o mundo. Como diz Kundera, "a burrice das pessoas vem delas terem resposta para terem resposta pra tudo". Finkielkraut comparava então romances como "Madame Bovary" e "Educação Sentimental" (ambos de Flaubert) a romances que oferecem soluções para a vida.

Se Emma Bovary nos ensina que o desejo é um companheiro destrutivo, ao mesmo tempo nos pega pela mão e nos leva a uma vida insípida onde não há desejo e da qual ela foge.
O Confronto entre as duas formas de vida, sem solução, é a força da personagem. Mesmo que Emma tenha se transformado, para muitos de nós, naquele arquétipo da mulher de 40 anos com uma taça de vinho branco nas mãos, com os seios já caídos, que aborda homens em lançamentos de livros ou em exposições, falando como o parceiro que tem, a verdadeira Emma Bovary encarna o risco que é apostar no desejo.
Mas uma vida sem desejo não vale a pena ser vivida, por isso ela é uma grande heroína: sua grandeza mora ali onde mora sua maldição. Que distância dessas bobagens que psicólogas de recursos humanos gostam de ler e recomentar para seus funcionários ou que estes conferencistas motivacionais e de liderança gostam de citar como exemplo de vida para suas platéias atordoadas pelo pânico da vida.
Por exemplo, o que dizer a uma mulher ou a um homem que vê sua energia se apagar diante do sorriso de alguém mais jovem, oferecido docemente ao seu parceiro ou parceira? Nesse momento, a insegurança sobe à boca, inundando-a de uma saliva azeda, mas com aquele insuportável sabor que a verdade tem.
A solução ridícula então vem aos olhos, e eles falam: "Posso eu competir com essa fisiologia fresca e bela?" E aí vem o socorro da má literatura. Mas, quando em casa, à noite, no espelho, você se olha, dificilmente conseguirá esconder o desejo de que ninguém jamais seja perdoado porque você é infeliz e de que todos que nasceram depois de você sejam execráveis, pela simples razão que ainda têm mais vida. Talvez Finkielkraut, Kundera e Beckett sejam excessivamente duros conosco, mortais. às vezes parece que a consciência que eles nos cobram é excessiva. Uma certa dose de inconsciência se faz necessária para enfrentar as horas.

domingo, 25 de outubro de 2009

Museu do Futebol





















Já faz um tempo que o visitei e estou para escrever sobre ele, e agora rememorando aqueles momentos, me senti como se estivesse um "Museu de História". Talvez muitas pessoas ainda não o visitaram porque imaginam que lá só irão ver fotos de jogadores ou vídeos de jogos, claro isso existe, mas tem muito mais. Você é surpreendido logo na entrada com as coleções de jogos de botões, (quem nunca os jogou?..) aqueles antigos em que ainda apareciam os rostos dos jogadores (isso já não é mais possível pois há uma imensa rotatividade nos times..), camisas de todos os times nacionais (digo todos mesmo! até do time de Guarulhos que deve estar na quarta divisão...). No primeiro andar existem as ja esperadas fotos e vídeos de jogos. Curiosidades como o gol mais rápido do mundo feito em segundos, uma sala onde existe uma simulação de estádio com toda a vibração das torcidas, e após ela adentramos num espaço onde residem fotos antigas, onde podemos ver uma outra história, aquela narrada por hábitos, costumes, atitudes, vestimentas e gestos de um povo, ano a ano, década a década, ... e finalmente no último andar uma verdadeira aula de História, está cronologicamente separada por anos em que foram realizadas as copas do mundo. E o que me surpreendeu... não somente de futebol, conta "nossa história", com fotos e vídeos que nos vislumbra a História do Brasil, me surpreendi ao ver o slogan "Ame ou deixe-o", me emocionei ao ver fotos e vídeos de um de meus hérois brasileiros "Airton Senna", e também de meu jogador preferido "São Marcos". Muitas pessoas comentam que não se interessaram em ir porque pensavam ser somente mais um museu onde iriam ver assuntos relacionados ao futebol. Ao que digo que estão enganadas, e sim!! Vale a pena a visita.






Repetimos a lenda e o delírio que o futebol desencadeia em cada relato que fazemos de uma partida, tenha ela ocorrido hoje ou há 50 anos. Pouco importa se o jogo foi visto pela TV, ouvido pelo rádio ou lido em uma notícia de jornal. Na cabeça de quem o imagina, ele reaparece límpido como uma verdade absoluta, repassada de geração em geração.

É a força expressiva da tradição oral, da palavra, que serviu perante a história para perpetuar a existência dos contos e dos povos, muito antes da invenção da imprensa ou da imagem eletrônica. O jogo nos faz viver em renovado feitio. algo que impregna nossa vida afetiva.


O Museu do Futebol tem um ano de existência e nesse tempo teve quase 400 mil visitantes. Com mais de 1.500 imagens e seis horas de vídeos expostos, comemora essa herança comum, passada pela tradição oral, num país tal falto e escasso da valorização dessa memória.


No museu estão expostas as imagens que percorreram o imaginário da nação desde 1896, quando o filho de ingleses Charles Miller aqui aportou trazendo na mala uma bola e um manual de regras.





O que surpreende o visitante não é a tecnologia de ponta ou as atividades interativas, mas o romper com um olhar vetusto e esperado de um museu. O espaço pensado para deixar solto o desejo libertário em cada visitante, estimulando uma inventiva própria.






Cada visitante do Museu do Futebol é encarado como artista em potencial. Em certo sentido, o visitante é o próprio conteúdo do museu: ele se nutre do museu e o nutre. Assim, amplia as próprias fronteiras do conhecimento permitindo a fruição do espaço visitado num gozo intelectual, próprio e sensível.






Espero que gostem da indicação. Programão pra esse domingo! Beijos a todos!
Nesse ano assisti a 3 filmes em que vemos a "versão masculina do amor". O último deles foi

no A verdade Nua e Crua, mostra o típico "dporco chovinista" .... mas vemos que por traz daquilo tudo, existe um homem "com medo de amar" o filme mostra que os homens se transformam apos um sofrimento e como tem medo de sofrer novamente cria essa "proteção invisivel" onde acha que esta protegido.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Valorização do Professor

Foi aprovado na madrugada do dia 21 (por que sempre no calar da noite?) pela Assembléia Legislativa de São Paulo o novo plano de remuneração aos professores estaduais. O Projeto de Lei Complementar (PLC) 29/2009 prevê reajustes que poderão segundo a Secretaria da Educação quadruplicar o salário inicial dos professores da rede. Seria maravilhoso se fosse real, essa lei tem seus prós e contras, o professor será avaliado por uma prova e por sua vida funcional (assiduidade e tempo de permanência na mesma escola).
O PLC prevê que até 20% dos docentes poderão ter direito ao reajuste de 25% sobre o salário base (que convenhamos é baixo) e os outros 80%?

Portanto, como falar em valorização sem corrigir distorções salariais e de condições de trabalho impostas por sucessivos governos do PSDB? O correto seria corrigi-las, ainda que gradativamente, e iniciar uma urgente revisão de carreira que hoje leva os professores à estagnação na última faixa salarial.