''Eu tenho meus motivos pra ser exatamente do jeito que eu sou, acredite.''

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância.

     Olá pessoas, quanto tempo... também senti falta daqui... agora falta pouco para eu poder me dedicar novamente ao blog... somente mais uma prova (de fogo).
     Não pude resistir de postar esse texto do meu querido prof. Pondé, imagino que tenha sido influenciado pela data...(dia dos namorados), mas ele está muiiito meigo e romântico... rs, ou talvez seja porque está longe da terra brasilis... bom... leiam e julguem por vocês mesmo.
Beijosssss




LUIZ FELIPE PONDÉ
Meu irmão Kierkegaard

Somos um nada que ama. Tanto a angústia como o amor são "virtudes práticas" que demandam coragem


QUANDO VOCÊ estiver lendo esta coluna, estarei em Copenhague, Dinamarca, terra do filósofo Soren Kierkegaard (1813-1855), pai do existencialismo. Ao falarmos em existencialismo, pensamos em gente como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, tomando vinho em Paris, dizendo que a vida não tem sentido, fumando cigarros Gitanes.
O ancestral é Pascal, francês do século XVII, para quem a alma vive numa luta entre o "ennui" (angústia, tédio) e o "divertissement" (divertimento, distração, este, um termo kierkegaardiano).
O filósofo dinamarquês afirma que nós somos "feitos de angústia" devido ao nada que nos constitui e à liberdade infinita que nos assusta.
A ideia é que a existência precede a essência, ou seja, tudo o que constitui nossa vida em termos de significado (a essência) é precedido pelo fato que existimos sem nenhum sentido a priori.
Como as pedras, existimos apenas. A diferença é que vivemos essa falta de sentido como "condenação à liberdade", justamente por sabermos que somos um nada que fala. A liberdade está enraizada tanto na indiferença da pedra, que nos banha a todos, quanto no infinito do nosso espírito diante de um Deus que não precisa de nós.
O filósofo alemão Kant (século XVIII) se encantava com o fato da existência de duas leis. A primeira, da mecânica newtoniana, por manter os corpos celestes em ordem no universo, e a segunda, a lei moral (para Kant, a moral é passível de ser justificada pela razão), por manter a ordem entre os seres humanos.
Eu, que sou uma alma mais sombria e mais cética, me encanto mais com outras duas "leis": o nada que nos constitui (na tradição do filósofo dinamarquês) e o amor de que somos capazes.
Somos um nada que ama.
A filosofia da existência é uma educação pela angústia. Uma vez que paramos de mentir sobre nosso vazio e encontramos nossa "verdade", ainda que dolorosa, nos abrimos para uma existência autêntica.
Deste "solo da existência" (o nada), tal como afirma o dinamarquês em seu livro "A Repetição", é possível brotar o verdadeiro amor, algo diferente da mera banalidade.
É conhecida sua teoria dos três estágios como modos de enfrentamento desta experiência do nada. O primeiro, o estético, é quando fugimos do nada buscando sensações de prazer. Fracassamos. O segundo, o ético, quando fugimos nos alienando na certeza de uma vida "correta" (pura hipocrisia). Fracassamos. O terceiro, o religioso, quando "saltamos na fé", sem garantias de salvação. Mas existe também o "abismo do amor".
Sua filosofia do amor é menos conhecida do que sua filosofia da angústia e do desespero, mas nem por isso é menos contundente.
Seu livro "As Obras do Amor, Algumas Considerações Cristãs em Forma de Discursos" (ed. Vozes), traduzido pelo querido colega Álvaro Valls, maior especialista no filósofo dinamarquês no Brasil, é um dos livros mais belos que conheço.
A ideia que abre o livro é que o amor "só se conhece pelos frutos". Vê-se assim o caráter misterioso do amor, seguido de sua "visibilidade" apenas prática.
Angústia e amor são "virtudes práticas" que demandam coragem.
Kierkegaard desconfia profundamente das pessoas que são dadas à felicidade fácil porque, para ele, toda forma de autoconhecimento começa com um profundo entristecimento consigo mesmo.
Numa tradição que reúne Freud, Nietzsche e Dostoiévski (e que se afasta da banalidade contemporânea que busca a felicidade como "lei da alma"), o dinamarquês acredita que o amor pela vida deita raízes na dor e na tristeza, afetos que marcam o encontro consigo mesmo.
Deixo com você, caro leitor, uma de suas pérolas:
"Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor... Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber."
Infelizes os que nunca amaram. Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância.
ponde.folha@uol.com.br

domingo, 15 de maio de 2011

Professores são obsoletos


Essa semana  no Jornal Nacional foi transmitido uma reportagem sobre a “profissão professor”, falou-se daquilo que estamos cansados de saber, professores mal remunerados, desmotivados e o pior de tudo que de uma sala de 100 alunos de um cursinho somente 2 querem seguir esta carreira. Está brilhando um alerta amarelo para os governantes, pois se profissão que forma todas as outras se extinguir, o que será do futuro? Não adianta o governo federal gravar propagandas valorizando o professor, todos sabemos que não passa de um engodo. Enquanto esse importante profissional não tiver sua dignidade resgatada.



Professores são obsoletos
Ricardo Semler (Folha de SP)
     A Westinghouse era um gigante nos anos 20. Numa fábrica com 12 mil funcionários, conduziram uma experiência seminal. Aumentaram a iluminação e a produtividade aumentou. Depois, voltaram ao que era. A produtividade aumentou mais!
     Esse experimento provou que a intervenção gera mudanças temporárias e não difere dos empresários que intervêm em escolas.
     No começo a diretora faz cursos de gestão, aparecem computadores e reciclagem para professores. Com o tempo, tudo volta ao que era. E os valores que são colocados nessas escolas “mexidas” tornariam o orçamento da rede pública inviável, portanto, são artificiais.
     Duas boas entidades, Instituto Ayrton Senna e Todos Pela Educação colocaram pesquisadores para achar o denominador comum de centenas de estudos sobre melhorias na sala de aula – o resultado, logicamente, não passa de um conjunto de platitudes.
     São quatro as conclusões: um, o professor tem que ser bom. Os 20% melhores ensinam mais do que os 20% piores. Ué...
     Segundo, que turmas menores aprendem mais – ou seja, não é bom ter 48 alunos na classe. Certo.
     Terceiro, que é melhor que a turma seja homogênea – se for para aprender mais matemática e português-, mas seria melhor que fosse heterogênea – se for para outras matérias. Ops...
     Quarto, que alunos aprendem mais se houver mais aulas.
     Hmmm... sei que faço uma caricatura, mas não difere disso. A culpa não é dos empresários – têm boas intenções-, mas cabe lembrar intenções-, mas cabe lembrar que 92,3% das empresas quebram ou são vendidas a cada 20 anos, o que sugere que o empresário tem dificuldade de entender do seu próprio metier, quem dirá educação.
     Que empresários escolheriam um professor de sociologia, depois um torneiro mecânico e por fim uma guerrilheira para comandar o país?
     Teriam acertado na mosca, o país nunca andou tão para a frente.
     Perguntei, numa palestra em Londres para 59 ministros de Educação: por que as férias são tão compridas no verão? Nem um deles sabia – é assim porque as escolas eram rurais, e o pais precisavam da criançada para ajudar na colheira, por dois meses. É assim até hoje.   
     Melhorias marginais na escola são como motor novo e pintura metálica num Fusca 77.
     O papel do professor está obsoleto. Pede-se demais: que entenda de uma matéria, mas cruze com outras; que saiba manter 39 meninos quietos; que lide com as sacanagens da carreira, com diretoras ranzinzas e pais perdidos; e ainda aprendam tudo sobre bullying e “bullshit”.
     Os investimentos e estudos deveriam ir para formatos novos, com professores virando os tutores esclarecidos da Paidéia grega e chamando à escola os milhões d recém-formados e aposentados que poderiam partilhar suas paixões.
     Ficar tirando a média de um conceito medíocre é inócuo. Correr atrás de resultados melhores no Pisa parece avanço, mas não passa de uma polida no capô do Fusca.

 Cena do filme "Como estrelas no céu, toda c riança é especial" que fala da perseverança do professor para ensinar um aluno com dislexia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dom Quixote y Dulcinéia Del Toboso




"O seu nome é Dulcinéia, sua pátria Toboso, um lugar da Mancha; a sua qualidade há de ser, pelo menos, Princesa, pois é Rainha e senhora minha; sua formosura sobre-humana, pois nela se realizam todos os impossíveis e quiméricos tributos de formosura, que os poetas dão às suas damas; seus cabelos são ouro; a sua testa campos elíseos; suas sobrancelhas arcos celestes; seus olhos sóis; suas faces rosas; seus lábios corais; pérolas os seus dentes; alabastro o seu colo; mármore o seu peito; marfim as suas mãos, sua brancura neve; e as partes que à vista humana traz encobertas a honestidade são tais (segundo eu conjeturo) que só a discreta consideração pode encarecê-las, sem poder compará-las."  (Dom Quixote) Miguel de Cervantes

domingo, 3 de abril de 2011

Afastamento do blog... e reaprendendo a ser mãe...

      Olá leitores deste blog, ficarei um tempo afastada daqui por exatos 3 meses, pois estou envolvida num novo projeto que absorve praticamente todas minhas poucas horas livres. Terei que deixar de lado por um tempo meus livros e filmes prediletos para "respirar" Délia Lener, César Coll, Vigotsky, Paulo Freire, Andy Hargreaves, Perrenout e mais alguns pensadores e pedagogos que farão parte do meu "ser". Como diz meu amigo Marcelo, terei que "pensar" como eles, esquecer meus pré-conceitos, meu modo de lecionar e praticamente (se fosse possivel) reencarnar Paulo Freire e os outros citados que ainda estão vivos...rs 


          Para uma despedida da boa vida, hoje tirei parte do dia para sair com meus filhos, me parece que estou reparando essa lacuna da minha missão de ser mãe...
     Quando eles eram pequenos não saíamos, não passeavamos, meu ex marido não era muito dado a passeios e o máximo que fazíamos era visitar familiares.... Fomos algumas vezes no Parque da Mônica somente, zoológico, simba safári, playcenters, não faziam parte de nosso roteiro. Como sempre trabalhei muito, quando bebês perdi muita coisa preciosa, minha mãe que teve esse privilégio da primeira palavra, primeiro passo, etc... Agora tento resgatar esse "tempo" que foi perdido, claro que não é totalmente possível, mas os preencho de atenção, carinho e qualidade de vida.



     Quando passei a morar sozinha com eles fui modificando nossa rotina, passamos a frequentar museus (muitas vezes contra a vontade deles...) teatros, musicais...
     

     Hoje fomos ao Museu da Independência, uma vergonha (confesso) por ser uma prof. de História nunca ter ido ao museu. Depois de errar algumas vezes o caminho (peguei a Av. do Estado na direção oposta....rs) acertamos... Lá era tudo o que eu imaginava, aquele jardim maravilhoso imitando Versalhes, e o museu com peças maravilhosas, vi até um "carro de bombeiro" de séculos atrás movido à tração animal..rs
   
     Eles adoraram o passeio, na volta almoçamos num restaurante que há muito tempo queria levá-los e mesmo sendo um domingo chuvoso foi muito divertido. 
     Tenho mais algumas falhas a reparar, talvez nem sejam falhas. Sou uma mãe que sempre impôs limites e disse muitos "nãos" a eles, essa semana me pus a pensar nisso, normalmente não sei dizer não a ninguém, às vezes faço coisas contra minha vontade somente para não contrariar o outro. Mas um acontecimento nesse final de semana me fez mudar de paradigma, agora me coloco em primeiro lugar, se o outro não ficar satisfeito... "azar o dele", como diz o ditado, antes ele do que eu, (pensamento egoísta), mas eu já estou acostumada a ouvir tantos "nãos"... que não doeu nada em dizê-lo... na verdade foi bom.
     Depois desse compartilhamento de imagens e de ideias, me despeço e prometo voltar renovada e eventualmente quando sobrar um tempinho venho ver se tem algum comentário nos posts.
     Um beijo a todos. Hasta Luego!!

sábado, 26 de março de 2011

Dias de fúria.....





TPM (Tensão Para Matar), o inferno da mulher moderna... já li alguns artigos em que a mulher é até inocentada em caso de crime (dependendo da benevolência do juiz), pois pode alegar que estava “fora de si”...
Essa semana foi muito difícil, hoje parei pra pensar ... Que descontrole!!! Falei coisas que não devia e que normalmente não digo, depois fiquei com crise de consciência por ter dito. Dei broncas nos alunos, uma resposta mal educada deles (o que é habitual) que normalmente relevo, já bastava para que eu colocasse o indivíduo para fora da classe.
Que estranho hormônio é esse que tem o poder de “transformar Jekyll em Hyde”? 

Coisas que normalmente passam despercebidas, agora tomam grandes proporções, uma marolinha se transforma em um tsunami.
Ronnie Von tem uma ótima solução: Diz que na entrada de  seu closet tem uma bonequinha onde tem duas faces. Se sua esposa Kika  está com TPM vira o rostinho para furioso, então ele sabe que são os dias em que é melhor se manter distante ou tomar cuidado com o que diz ou faz...


Há vários tipos de TPM, xeretando na net vi num site que meu tipo é o bruxa (novidade....rs)
bruxa
Alterações bruscas de humor, ansiedade, nervosismo, irritabilidade,lentidão mental, abatimento, apatia, insônia, vertigem
e depressão, dor de cabeça forte; os sintomas apontam alto nível de
estrogênio e baixa progesterona... ufa.... depois de tudo isso junto.... como me agüentaram???? Rssss


Os homens não tem ideia do que passamos ou sentimos e por isso tem a obrigação de nos perdoar.... rs
Por isso venho aqui me redimir.... com meus filhos, amigos, e “alguns” alunos... rs
Tentando sair dessa TPM sem traumas... (um ótimo nome pra um livro de auto-ajuda) ontem passei por uma situação que fiquei rindo sozinha....  Meu celular tocou e era número privado... o homem (com um voz linda), perguntou quem falava, eu... (com TPM claro...) respondi... quer falar com quem???? Ele responde... aqui é Renato e esse número estava aqui como ligação perdida. Que eu logo retruquei que nem havia utilizado o celular naquele dia...
Depois que o Renato da linda voz desligou me ocorreu... que oportunidade de ouro perdi.... não poderia ter respondido assim....
Olha... infelizmente não fui eu... mas se me der seu número posso ligar... E caí na gargalhada sozinha, pois quem me conhece sabe que não tenho essa coragem toda....rsssss
Obrigada Renato (seja lá quem for)... você me fez rir apesar da TPM...
 Hoje é sábado, dia ensolarado e maravilhoso, acabei de voltar do Bosque Maia onde fui fazer minha caminhada e agora vou numa cafeteria tomar café com uma amiga... Tudo passou... ufa... e vislumbro um final de semana maravilhoso!!!
Beijos a todos!!!!

Gostei da Declaração dos Direitos da Mulher com TPM, inclusive de alguns artigos..:

Tirado do blog:http://crondia.blogspot.com/2011/03/declaracao-universal-dos-diretos-da.html
Preâmbulo

Considerando as alterações hormonais que afetam as mulheres durante os dias que precedem o período menstrual, e seus consequentes transtornos psicológicos e sentimentais, fica estabelecido que:




ARTIGO II

Toda mulher em dias de TPM tem direito à preferência no trânsito; a encontrar todos os sinais abertos; a receber passagem dos outros motoristas; a encontrar vagas sem que haja necessidade de baliza; e a não ouvir nenhuma buzina — salvo em casos de buzina utilizada como ferramenta de paquera.




ARTIGO VIII

Toda mulher em dias de TPM tem direito a estourar o limite do cartão de crédito comprando sapatos que não fazem seu estilo, roupas que só usaria se fosse convidada para uma festa brega, bolsas que custam uma fortuna, embora não acomodem nem um celular. E que nada disso conste na fatura do mês seguinte.




ARTIGO IX

Toda mulher em dias de TPM tem direito a reclamar com o namorado de qualquer coisa da qual já tenha reclamado um milhão de vezes; a chorar por causa dele; a chorar no telefone com ele; a não atender as ligações dele; e até a terminar com ele. Desde que, passado o período, ele finja que nada disso aconteceu.
ARTIGO VI

Toda mulher em dias de TPM tem o direito de se abster da obrigação de dizer "bom dia", "bom tarde", "boa noite", “por favor”, “com licença”, sem ser taxada de grosseira e mal-educada.

ARTIGO VII

Toda mulher em dias de TPM tem o direito de esquecer: esquecer o aniversário de um parente, esquecer de pagar uma conta, esquecer de ir ao dentista, esquecer de enviar um orçamento, e outras coisas que agora esqueci (estou no meu direito).




ARTIGO X

Toda mulher em dias de TPM tem o direito de fazer com a sua TPM o que bem entender: um dramalhão mexicano, uma tragédia grega, uma comédia pastelão, uma crônica, que seja. Desde que isso lhe renda elogios, para que não fique traumatizada e inibida de escrever para todo o sempre.

Fonte: Crônica do Dia: DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA MULHER COM TPM >> Fernanda Pinho

quarta-feira, 23 de março de 2011

O delicioso perfume de Emma Bovary




O delicioso perfume de Emma Bovary

A culpa é mais um dos sentimentos difusos que vão do fígado ao coração, escurecendo nossa visão





 

   DE FATO, uma tragédia no Japão! Mas o povo japonês é um grande povo, estoico, maravilhoso, e vai dar uma lição ao mundo, mais uma vez, de como enfrentar a dureza da vida sem frescuras. Confio nos samurais contra esta bela besta-fera que é a natureza.
Claro que o bloco dos 2012 maníacos pelo fim do mundo vai dizer que a "mãe Terra" (que está mais pra Medeia do que pra Gaia) está nos mandando um recado, mas isso é bobagem, a natureza é cega. Não faço parte dos fanáticos "believers da religião verde". Sou um herege. Os "nature lovers" sabem que câncer é natural?
Sou mais dado a assuntos "menores", do tipo que enche o consultório dos analistas e nossas camas sujas.
"O que você acha da culpa e da traição?", me perguntou, outro dia, uma jornalista, um tanto ansiosa. Senti o delicioso perfume de Emma Bovary no ar.
Sei que pode haver culpa, mas o que me espanta mais é a ideia contemporânea de que haja uma "redenção pelo sexo".
Antes de tudo, não entendo a culpa como uma "ideia da consciência moral". Acho que quando a filosofia pensa a culpa como uma "ideia da consciência moral", ela faz má filosofia.
A culpa é mais um sentimento difuso que vai do fígado ao coração, assombrando o cérebro, escurecendo a visão, um zumbido nos ouvidos, que faz do mundo opaco. Uma ameaça que inunda o sangue.
Como uma náusea que não se sabe de qual órgão do corpo vem, nem para qual faculdade da alma se dirige. Um afeto incômodo, mas que faz você sentir que ainda tem corpo e alma, como numa intoxicação que paralisa o cotidiano.
Por isso usamos expressões como "ressaca moral". A culpa inunda o sangue, contaminando-o como faz o vinho, deixando um gosto de borracha na boca e a língua azeda.
Um erro comum é a fantasia de que uma vida sexual "louca" cura a alma de sua insatisfação cotidiana. Não, uma vida sexual "louca" é marca de uma alma louca de desejo. Nada mais. Como qualquer tara, é repetitiva, monótona, banal. Um vício, como o jogo, a cocaína, o álcool. Uma loucura humana demasiado humana, mas não sinal de uma nova atitude libertadora.
Só pessoas que vivem sonhando, pensando na maravilha que seria ser uma Emma Bovary, sem nunca ter pecado, sem nunca sentir o gosto de uma cama suja na boca, imagina que haja redenção no desejo sexual "emancipado".
Não digo isso pra negar o valor de se realizar desejos. Longe de mim a crença na armadilha do velho puritanismo. Deixo o puritanismo para as militantes da "pureza da natureza feminina" e para esses maníacos pela alimentação "sem sangue".
Digo isso para refutar a ideia infantil de que haja redenção no sexo ou em qualquer outra forma do desejo humano.
O ciclo do desejo é um círculo infinito cuja esfera está em toda parte e o centro em parte alguma. Este movimento descreve o sem-fim do inferno humano.
O desejo é sempre triste. Apenas quem não o conhece o julga redentor. A revolução sexual é puro marketing de comportamento. Venda de "estilos e produtos de prazer". Sua verborragia é indício de sua nulidade. Nossos avós faziam sexo melhor do que nós e nossos filhos que se gabam de beijar dezenas numa noite. O pecado é que dá tesão e não a liberdade sexual.
Uma das marcas do ridículo de nossa época é levar os jovens a sério demais. Atitude típica de covarde que foge da responsabilidade de dizer aos mais jovens que não há solução para vida e que tudo o que eles pensam já foi pensado antes deles e melhor.
A vida nasce, é bela, floresce, adoece e morre, sendo esquecida em meio aos vermes. E fazemos o que podemos em meio a isso.
Espanta-me como tanta gente grita dizendo que não vai ter água e comida pra todo mundo. Acho que o que vai acabar antes é a libido diante de tamanha masturbação sobre como ela salva a vida da sensação de nulidade cotidiana. Não vai sobrar libido para todo mundo, já que todo mundo deve ser um campeão do sexo.
Não existe sexo de graça (livre). A forma mais barata ainda é pagar com dinheiro ou um jantar. Daí o sucesso eterno da prostituição, porque sua nudez é ainda a mais em conta. Ou se paga com dinheiro ou com a alma.



segunda-feira, 21 de março de 2011

Complemento do post anterior........

Professor "novato" desiste de aulas na rede estadual de SP

DE SÃO PAULO
Hoje na Folha Professores recém-concursados desistem de ensinar na rede estadual de São Paulo. Entre as principais reclamações estão falta de condições de trabalho (salas lotadas, por exemplo), desinteresse de alunos e baixos salários, informa a reportagem de Fábio Takahashi publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Edson Rodrigues da Silva, 31, formado na USP, foi aprovado ano passado no concurso público da rede estadual para ensinar matemática. Passou quatro meses no curso preparatório obrigatório do Estado para começar a lecionar neste ano no ABC paulista. Ao final do primeiro dia de aula, desistiu.
"Vi que não teria condições de ensinar. Só uma aluna prestou atenção, vários falavam ao celular. E tive de ajudar uma professora a trocar dois pneus do carro, furados pelos estudantes. Se continuasse, iria entrar em depressão. Não vale passar por isso para ganhar R$ 1.000 por 20 horas na semana."
Até a última sexta-feira (18), 60 professores já haviam finalizado o processo de exoneração, a pedido, média de mais de dois por dia letivo.
A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) diz ser normal o número de desistências, considerando a quantidade de efetivações (9.30). No entanto, os educadores discordam.
Para a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Maria Marcia Malavasi, "o cenário é triste; especialmente na periferia, os professores encontraram escolas sem estrutura, profissionais mal pagos, amedrontados e desrespeitados."

Editoria de arte/Folhapress

domingo, 20 de março de 2011

Reprovar garante aprendizado?

     Este foi o título de um dos editoriais da Folha de SP desta semana, remoí a semana toda esse assunto e hoje resolvi "colocar pra fora" minha "amarga opinião".
     O texto foi escrito por Antonio Jacinto Matias vice-presidente da Fundação Itaú Social e membro do Conselho de governança do movimento Todos pela Educação... depois de tantos títulos eu uma mera professora tenho até medo de me pronunciar....rs mas vamos lá....
     (...)Chamado criticamente de "aprovação automática" e apontado como vilão de diferentes setores da sociedade brasileira, como ocorreu no recente período eleitoral, o sistema em si tem sido muitas vezes responsabilizado equivocadamente pelo baixo nível de aproveitamento dos alunos.(...)
     Este é o primeiro trecho que discordo.... como "equivocadamente"?... O senhor Antonio detrás de sua rica escrivaninha em seu escritório da Avenida Paulista está bem longe da realidade, ele deve somente ver os relatórios maquiados que chegam até ele... o convidaria juntamente com o secretário da educação sr. Herman para visitar a minha sala de aula onde tenho 3 alunas no 6o. ano que não são alfabetizadas... isso sem falar na minha classe de 4a. série em que o nível não atinge de uma segunda série de uns 10 anos atrás... 
     Onde está o "equivoco" senhor Antonio? Nos professores mal remunerados? Ou nas classes superlotadas? Ou no tempo que perco preenchendo papéis meramente burocráticos, tempo que para mim seria melhor aproveitado com meus alunos.
     Quando vocês que ficam atrás dessas mesas irão chegar à conclusão de que a educação é a essência do país? Que através dela se alcançará o tão esperado desenvolvimento...
     Se a educação continuar a ser tratada com esse descaso, não adianta ficar fazendo propaganda na mídia dizendo que o professor é essencial, provem isso, nos dê de volta a autoridade roubada, hoje o professor é um mero transmissor de conhecimento (isso se o aluno quiser receber) e no final do ano ele é promovido sim!!! Sem os requisitos mínimos para seguir em frente. 
     Sr. Antonio continue se enganando com os relatórios em que dizem que a educação no Estado de São Paulo está em ascensão... ou melhor... matrícule seus filhos ou netos em uma de nossas ótimas escolas.... Boa sorte!!!
    

sábado, 12 de março de 2011

Deus me livre de ser feliz

LUIZ FELIPE PONDÉ
Deus me livre de ser feliz

Quanto aos meus alunos e aos meus leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus

DEUS ME livre de ser feliz. Existem coisas mais sérias que a felicidade. Algum sabichão por aí vai dizer, sentindo-se inteligentinho: "Existem várias formas de felicidade!". E o colunista dirá: "Sou filósofo, cara. Conheço esse blá-blá-blá de que existem vários tipos de felicidade, mas hoje não estou a fim".
Um bom teste para saber se o que você está aprendendo vale a pena é ver se o conteúdo em questão visa te deixar feliz.
Se for o caso e você tiver uns 40 anos de idade, você corre o risco de sair do "curso" engatinhando como um bebê fora do prazo de validade. A mania da felicidade nos deixa retardados.
Querer ser feliz é uma praga. Quando queremos ser felizes sempre ficamos com cara de bobo. Preste atenção da próxima vez que vir alguém querendo ser feliz.
Mas hoje em dia todo mundo quer deixar todo mundo feliz porque agradar é, agora, um conceito "científico". Quem não agrada, não vende, assim como maçãs caem da árvore devido à lei de Newton.
Mas eu, talvez por causa de algum trauma (fiz análise por 20 anos e acho que Freud acertou em tudo o que disse), não quero agradar ninguém.
Não considero isso uma "vantagem moral", mas uma espécie de vício. Claro, por isso tenho poucos amigos. Mas, como dizem por aí, se você tiver muitos amigos, ou você é superficial, ou eles são, ou os dois.
Quanto aos meus alunos e leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus.
Desejo para eles uma vida atribulada, conflitos infernais com as famílias, dúvidas terríveis quanto a se vale a pena ou não ter filhos e casar.
Desejo que, caso optem por não ter família, experimentem a mais dura solidão da existência humana, porque, no fundo, não passam de egoístas. Mas se tiverem família, desejo que percebam como os filhos cada vez mais são egoístas porque querem ser felizes e livres.
Desejo para eles pressões violentas no mercado de trabalho. E jantares à meia-noite diante de um trabalho que não pode ficar para amanhã porque querem viajar e ter grana para gastar.
Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade. Quem for covarde e optar por uma vida miseravelmente cotidiana que veja um dia sua filha jogar na sua cara que você foi um covarde.
Especialmente, desejo um futuro cruel para quem acredita que "ser uma pessoa de bem" a protege de ser infiel, infeliz, abandonada e invejosa.
Espero que um dia descubram que, sim, eles têm um preço (apenas desejo que seja um preço alto) e que se vendam.
Espero que percebam que seus pais não foram santos e parem com essa coisa de gente brega de classe média que tenta inventar uma "tradição ética familiar" que só engana bobo.
E por que digo isso? Porque hoje todos nós estamos um tanto infantilizados e só queremos que nos digam o que achamos legal.
O resultado é uma massa de obviedades. A tendência é transformar o pensamento público em autoajuda ou em "compromisso com um mundo melhor", o que é a mesma coisa.
Quem quer agradar é, no fundo, um frouxo. Vejamos alguns exemplos do produto "querer ser feliz". Comecemos por quem acha que o seu "querer ser feliz" é superior e espiritualizado.
Talvez você queira virar luz quando morrer porque ser luz é legal (risadas). Deus me livre de querer virar luz quando morrer. Prefiro as trevas.
Se for para continuar vivendo depois de morto, prefiro viver no "meu elemento", as trevas, porque sou cego como um morcego.
Normalmente, quem quer virar luz quando morrer é gente feia ou magra demais. Mulheres bonitas vão para o inferno, logo...
E gente que acha que frango tem mãe (só porque ele "descende" do ovo de uma galinha, e ela de outro...) e por isso é crime matá-los? Trata-se de uma nova forma de compromisso com a "felicidade social e política".
Entre esses "felizes que desejam a felicidade para os frangos" existem pessoas de 40 anos com cérebro de dez e pessoas de dez anos que um dia terão 40, mas com o mesmo cérebro de dez. Não creio que mudem.
Hoje é Carnaval. Espero que você não tenha pegado aquele trânsito idiota de cinco horas para ser feliz na praia.

ponde.folha@uol.com.br