''Eu tenho meus motivos pra ser exatamente do jeito que eu sou, acredite.''

domingo, 21 de novembro de 2010

O corpo fala

O jeito que um casal dorme não basta para mandá-lo ao divã ( ou ao advogado). Mas que o corpo fala, fala. " A leitura corporal não é fechada e não tem significado universal", diz o historiador Marcos Tadeu Cardoso* - que mesmo assim topou a brincadeira de analisar as posições abaixo, ao lado da psicologa Marina Vasconcelos.










 






    Abraço de lua de mel  
Posição típica dos primeiros meses de relacionamento, é bem plástica, mas não exatamente confortável e quase impossível de ser mantida durante toda a noite. Coisa de quem acabou de fazer amor. Segundo Cardoso significa "quero ficar enroscadinho em você", "quero você".

 Carangueijo
Se os dois passam a noite como se estivessem fugindo um do outro(há quem durma com os pés na cabeça do parceiro) vale prestar atenção: a relação pode estar degastada. Mas, claro, o alerta deve levar em conta não só a relação entre os lençóis, mas durante o dia todo. 


Chanel
Os quadris se tocam, mas cada um vai para um lado, lembrando os dois "C" do logotipo da Chanel. É um estilo meio zen, que predomina depois de certo tempo de relação, quando o casal tende a resgatar alguma privacidade no sono. Os bumbuns ligados dizem "estamos próximos, mas cada um em seu espaço" 



Colherzinha
Também chamada de "conchinha" e "feijãozinho", é a expressão óbvia de que os dois se encaixam. É o mesmo que dizer "completamos um ao outro", interpreta Marcos Tadeu Cardoso. "Gostar de dormir assim, mesmo que só no início da noite, significa aconchego", lembra a psicóloga Marina Vasconcellos.




Abismo
Embora essa posição, por si só, não seja sinônimo de crise conjugal, se o casal dorme todas as noites de costas um para o outro, pode ser um sinal de distanciamento entre os dois, de falta de vontade de estar junto, analisa a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama e terapeuta familiar
Telhadinho
Essa posição demonstra união, mas o distanciamento na região abdominal é um sinal inconsciente de falta de interesse sexual naquele momento. Outra "bandeira" é que cada um toca a ponta do lençol, como se quisessem cobrir as partes íntima.


Berço
Típico comportamento de união estável. A mão da mulher sobre o peito do homem, ele abraça ela, as cabeças ficam juntinhas. Isso demonstra aproximação e união, e ela se sente protegida literalmente debaixo da asa dele
A perseguição
Nessa posição, a mulher demonstra que tem ou busca ter a posse do homem. Como o corpo do homem está em direção oposta, com uma leve inclinação que acentua um afastamento da mulher, reforça a ideia de que ele está buscando seu território pessoa.



Ligados e livres
O corpo da mulher inclinado para o lado oposto do homem, acompanhado de uma leve inclinação da cabeça, parece demonstrar que a mulher deseja ficar em seu canto, pelo menos naquele momento. A inclinação do homem demonstra atenção, mas como ele mantém certa distância, pode significar que deseja liberdade
Abraço de perna
A mão da mulher, por baixo do homem, sinaliza que ela quer conquistar mais espaço. As pernas abertas também são sinal disso. Já a posição dele demonstra que está no seu espaço e não abre mão dele. A posição mostra certa ambivalência, como se os dois se tocassem por "acidente" (sem querer evidenciar o carinho)

COMO DORMIR SÓ
Passar a noite com o corpo torto é passaporte para acordar com pesadelos. Isso sem falar nos prejuízos a longo prazo. Os vícios ao dormir podem ser o estopim para dores de cabeça e até artroses. Veja o jeito mais adequado para descansar:

De bruços nunca
"Os especialistas são unânimes: essa é, de longe, a pior posição para dormir. Além de dificultar a entrada de ar e a oxigenação do organismo, ela gera tensão na nuca e na coluna. Além disso, a cabeça fica virada horas a fio em um ângulo de 90º. "Isso pode até evoluir para uma artrose precoce", alerta o ortopedista Lafayette Lage, de São Paulo. Essa postura estica demais o pescoço e comprime uma artéria que passa sob a clavícula, o que pode dar dores de cabeça e formigamentos, pela falta de irrigação. No limite, pode levar a problemas nos nervos.

De barriga para cima
"Não é a ideal, pois favorece o ronco e a apneia, as famosas paradas de respiração ao longo da noite. "Essa postura dificulta a abertura das vias respiratórias", diz Gil Lúcio Almeida, presidente do Crefito-SP (Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo). Se você gosta dessa posição, os especialistas recomendam usar algum rolinho ou travesseiro sob a nuca e na altura da lombar, para acompanhar as curvas fisiológicas da coluna (principalmente se o colchão for muito duro).

De lado
"Essa é a postura mais recomendada, mas com uma ressalva: as mãos devem estar abaixo dos ombros. Nessa posição, a cabeça e a coluna ficam alinhadas. Vale colocar um travesseiro fino entre os joelhos, para relaxar a musculatura. Se você dormir sobre as mãos, elas podem formigar pela falta de irrigação.
*Autor de "A linguagem corporal em relacionamentos e paqueras".

Texto e fotos retirados do suplemento "Equilibrio" da Folha de SP.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Que tipo de educação estamos dando aos nossos filhos?


     
      Esta imagem foi retirada de um jogo de video game chamado Bullying, uma vez numa conversa com meus alunos perguntei como se sentiam quando perdiam um jogo, estarrecida ouvi os relatos " jogo o controle na tv", chuto o cachorro/gato", "já quebrei o vaso de minha mãe". E vão me dizer que esses jogos não incitam à violência. Esse jogo citado "Bullying", os jogadores espancam os colegas da escola que são diferentes deles, professores e todos os que "fazem ganhar pontos"... como os pais consentem que seus filhos joguem isso?
     O grupo de jovens que agrediu alguns outros jovens na Avenida Paulista estudam em colégios particulares, contaram com a proteção de pelo menos um advogado, que em tese é um direito de todos, mas na prática é um indicador de um privilégio social.
     Talvez a maior punição para esses jovens tenham sido a repercussão pública do caso com os constrangimentos para os jovens e seus familiares.
     Quase todos já fizemos porcarias quando jovens. É a fase da explosão hormonal, dos exageros, da insensatez, mas nem por isso podemos tolerar ou sermos coniventes com esse tipo de delinquencia juvenil.
     A classe média terceirizou o afeto, a educação e fica a encargo de motoristas, babás, empregadas a função de educar,  e muitas vezes dar carinho e atenção.    A violência é produto do meio social, o crime é produto do desejo de se ter o que não se tem condições, o que não era o caso desses jovens.
     Talvez eu seja retrograda no jeito de educar meus filhos, mas nunca os deixei (sendo menores de idade) pelas ruas durante a madrugada. Sei onde estão e com quem estão. Se necessário vou levar e buscar. 
     Minha filha completa 18 anos amanhã, meu filho já tem 19, mesmo assim conhecem os "meus" limites e sabem o quanto é perigoso ultrapassá-lo... não quero dizer com isso que imponho castigos físicos a eles... não é necessário, pois desde pequeno foram educados para respeitar o próximo, nem digo que nunca tive problemas com eles, mas sempre foram problemas caseiros (de não arrumarem a cama, o quarto, coisas de TODOS os adolescentes...).
     Tentei me colocar no lugar desses pais, de ambos os lados, dos filhos agressores e agredidos, a primeira situação é mais fácil, tentar desculpar os erros dizendo que foi uma simples briga de rua, mas a segunda, vendo meu filho machucado por um bando de "jovens" sem limites... ah... meu sangue ferveu....
     Nas aulas de Sociologia tento explicar a palavra "marginal", sendo aquela pessoa que vive à margem da sociedade, que não respeita às leis e regras impostas para que possamos viver bem... o caso desses jovens seria infração à lei ou somente ausência de educação e limites?



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A 25 mil pés

LUIZ FELIPE PONDÉ


Movido pelo "essencial" é que decidi falar de coisa séria na coluna de hoje: vou falar de mulher


      ESTOU A 25 mil pés de altitude, voando num desses turbo-hélices. Adoro o som da hélice. Lá embaixo, paisagens distantes. Gosto de voar.
      Comecei a voar com um ano de idade, quando meu pai, então um jovem capitão médico da aeronáutica, me levava para voar em aviões da FAB. Entretanto, detesto aeroportos e classes sociais recém-chegadas a aeroportos, com sua alegria de praças de alimentação. Viajar, hoje em dia, é quase sempre como ser obrigado a frequentar um churrasco na laje.
      Sentimo-nos insignificantes aqui em cima. Exemplo máximo da desmedida humana, voar nos faz pensar em coisas profundas como: "Qual o sentido da vida?"; "Existirá vida após a morte?" Movido por esse apelo que vem do "essencial" é que decidi falar de coisa séria hoje: vou falar de mulher.
      Risadas? Nem tanto, caríssimo leitor. Se você for uma vítima, como eu, dessa maldição que é nascer heterossexual (um tanto fora de moda hoje em dia, quase reacionário), saberá que tudo o que fazemos, quase todo o tempo, o fazemos para agradar as mulheres. Parece que fomos "selecionados" assim.
      Em cerca de 50% do meu tempo, penso em como fazer a minha linda esposa feliz. Bela e brava, ela é uma mulher muito exigente. O restante do tempo, passo pensando em como ganhar dinheiro para deixá-la feliz. Sempre fracasso, claro, ela é mulher. Risadas? Nem tanto. Exagero? Talvez um pouco.
      Não fique brava, cara leitora. Fique firme no regime. Nada de queijo amarelo e doce no café da manhã. Lembre-se: se engordar, vai se sentir a última das mulheres. Pior ainda se sua colega de trabalho ou cunhada for mais magra que você. Mas não sofra demais. Vou lhe contar um segredo: como dizem sábios árabes, muitos homens gostam mesmo é de mulheres que "encham a cama".
      Recentemente, revi o episódio nove ("Não Desejarás a Mulher do Próximo") da série para a TV polonesa "Decálogo", de 1988, do grande Krzysztof Kieslowski (1941-1996).
A história é a de um médico jovem e casado que, de repente, fica impotente pra sempre. Logo, nós, heterossexuais clássicos, pensamos: "Ufa, ainda bem que vivemos na era do Viagra" -que, aliás, em nível de grandeza, está para a invenção do avião e do computador, infinitamente superior à do antibiótico.
      Mas, dizem os especialistas, alguns casos estão além de qualquer possibilidade de cura. Planejo um dia, após meus 90 anos, experimentar esse milagre. Agora, seria covardia com a concorrência. Afinal, sou pernambucano e nós, netos de Lampião, só sofremos desses males dos mortais depois dos 90 anos, quando sofremos.
      Nós, humanos, somos seres que habitam dois mundos. Um, "espiritual" ou "simbólico", onde somos livres pra "evoluir" para mundos sem guerras, cheios de amor e pessoas que se respeitam todo o tempo. Enfim, livres pra pensar em nós mesmos de forma ideal. Outro, material, submetido à lei da gravidade e à miséria do tempo, onde sofremos a escravidão da realidade.
      Tanto marido quanto esposa nesse episódio se viram como podem, cada um em sua miséria. Ele, temendo descobrir que, sem ereção, deixa de ser homem; ela, temendo que, afinal, deixe de amá-lo uma vez que ele não tenha mais ereção. Uma humilhação para o coração, derrotado pelo que falta "no meio das pernas", como diz a personagem feminina no episódio.
      Nesse sentido, a questão posta por Kieslowski é cirúrgica. Para aqueles que se acham "belos", pergunto: quanto tempo uma "boa" esposa suportaria um marido "sem uso"? Quanto tempo sua "bela alma" suportaria o desespero de seu corpo, sedento pela penetração física, para além do blá-blá-blá brega de "ela tem direito de ser feliz"?
      Às vezes, suspeito que um dos maiores segredos da civilização repousa sobre a capacidade ou não de um homem penetrar uma mulher. E o medo do homem de fracassar nessa missão é causa de enormes violências contra a mulher.
      O grande mestre Freud dizia: se quiser pensar a sério, não fique na sala de visitas, vá ao quarto do casal. Ouça os sussurros e os lamentos. Pergunte coisas obscenas. Grande parte de minha crítica às feministas passa por aí: política, nesse assunto, é sala de visitas. Pousei.

domingo, 31 de outubro de 2010

Eleições

Não votei na Dilma e também não simpatizo com ela...  como meus amigos bem o sabem... mas sou brasileira antes de tudo, e torço para que os 55% da população tenham feito uma boa escolha através do processo democrático e que ela faça um bom governo. Que a primeira mulher eleita no Brasil (40o. da História) esteja à altura de seu cargo  que ocupará nos próximos 4 anos. A primeira mulher a governar essa nação foi Princesa Isabel quando substitui seu pai D. Pedro II por algum tempo, fato que ficou marcado na história do país com a assinatura da Lei Aurea. E que a História seja novamente  escrita.....

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pra que usar de tanta (falsa) educação?....

"Pra que mentir, fingir que perdoou. Tentar ficar amigos sem rancor.
 Pra que usar de tanta educação. Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel. Devagarzinho, flor em flor.
Entre os meus inimigos, beija-flor"

Quando a emoção acaba, não há que se destruir ou depreciar o que ontem era tão essencial que merecia o enfeite de toda uma noite. A poesia libertária de Cazuza clamava por uma atenção aos sentimentos de respeito ao outro. De nada adianta a educação se as intenções não forem as melhores. É como conhecer com profundidade as regras de etiqueta e humilhar o garçom. Que etiqueta é essa? O que é melhor, saber com qual garfo comer ou conhecer os sentimentos alheios e respeitá-los? Naturalmente o bom só é bonito quando é bom.







Codinome Beija-flor
Cazuza
Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor













sábado, 23 de outubro de 2010

Por que você ama quem voce ama?

 Recebi este texto lindo via email... ela desnuda nossa idiossincrasia sem falsa modéstia...
Com vocês... Martha Medeiros....


Por que você ama quem você ama? 




Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.


O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.


Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.


Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.


Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.


Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?


Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!


Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vai encarar?

Sou contra o aborto, temos inúmeras maneiras de se evitar uma gravidez indesejada, desde atitudes simples como o uso de preservativos (masculinos e femininos), distribuídos gratuitamente nos postos de saúde até métodos mais recentes como a pilula do dia seguinte. Nem as adolescentes hoje podem cometer esse erro, pois são bombardeadas com informações à respeito tanto nas escolas como na internet. Se a concepção ocorrer não devemos culpar a criança (pois desde a concepção o feto já possui uma alma segundo o espiritismo). Lembro de uma colega de trabalho que diante de uma gravidez indesejada resolveu partir por esse caminho, recordo como ela ficou mal depois disso, do arrependimento de seu ato, apesar de meus protestos. Os filhos são uma dádiva. Um dia pensando sobre esse assunto, me veio à mente que eu poderia ter sido uma dessas crianças que tem suas vidas ceifadas logo na gestação, ainda bem que minha "progenitora", prosseguiu até o final, mesmo desistindo de mim após o nascimento. Gostaria de agradecê-la por isso, por me dar a vida...
Um beijo a todos!







LUIZ FELIPE PONDÉ

Sou contra o aborto. Sou da elite intelectual, PhD e      pós-doc, falo línguas e escrevo livros. Vai encarar?



SOU CONTRA o aborto. Não preciso de religião para viver, não acredito em Papai Noel, sou da elite intelectual, sou PhD, pós-doc., falo línguas estrangeiras, escrevo livros "cabeça" e não tenho medo de cara feia.
Prefiro pensar que a vida pertence a Deus. Já vejo a baba escorrer pelo canto da boca do "habitué" de jantares inteligentes, mas detenha seu "apetite" porque não sou uma presa fácil.
Lembre-se: não sou um beato bobo e o niilismo é meu irmão gêmeo. Temo que você seja mais beato do que eu. Mas não se deve discutir teologia em jantares inteligentes, seria como jogar pérolas aos porcos.
Esse mesmo "habitué" que grita a favor do aborto chora por foquinhas fofinhas, estranha inversão...
Não preciso de argumentos teológicos para ser contra o aborto. Sou contra o aborto porque acho que o feto é uma criança. A prova de que meu argumento é sólido é que os que são a favor do aborto trabalham duro para desumanizar o feto humano e fazer com que não o vejamos como bebês. E não quero uma definição "científica" do início da vida porque, assim que a tivermos, compraremos cremes antirrugas "babyskin" com cartão Visa.
Agora o tema é o "retorno" do aborto. O aborto entrou na moda neste segundo turno. É claro que esse retorno é retórico. Desde Platão, sabe-se que a democracia é um regime para sofistas e retóricos.
A relação entre democracia e marketing já era sabida como essencial desde a Grécia Antiga. Por que o espanto quando os candidatos, sabendo que grande parte da população brasileira é contra o aborto (talvez por razões religiosas vagas, talvez por "afeto moral" vago), se lançam numa batalha pelo espólio do "direito à vida"?
O marketing é uma invenção contemporânea, mas a necessidade dele é intrínseca a qualquer técnica que passe pelo convencimento de uma maioria, desde a mais tenra assembleia de neandertais.
A democracia é, na sua face sombria, um regime da mentira de massa. Quando essa mentira de massa é contra nós, reclamamos.
Não há nada de evidentemente justo em termos morais ou de moralmente "avançado" na legalização do aborto. O que há de evidente em termos morais é a desumanização do feto como processo retórico (exemplo: "Feto não é gente") e a defesa de uma forma avançada de "safe sex": "Quero transar com a "reserva de comportamento legal" a meu favor. Se algo der errado, lavo".
E não me venham com "questão de saúde pública". Esgoto é questão de saúde pública. A defesa do aborto nessas bases é apenas porque o aborto legal é mais barato. Resumindo: "Safe sex, cheap babies". E não me digam que o feto "é da mulher". O feto "é dele mesmo". E não me digam que "todo o mundo avançado já legalizou o aborto", porque esse argumento só serve para quem "ama a moda" e teme a solidão.
Não pretendo desqualificar a angústia de quem vive esse drama. Longe de mim! Mas em vez de gastarmos tanta "energia social" na defesa do aborto, por que não usarmos essa energia para recebermos essas crianças indesejadas?
Vem-me à mente dois exemplos, aparentemente de campos "opostos". Deveríamos aprender com a Igreja Católica e seu esforço de criar redes de recepção dessas crianças, aparando as mães em agonia e seus futuros filhos à beira da morte.
Por outro lado, são tantos os casais gays masculinos (os femininos sofrem menos porque dispõem de "útero próprio") que querem adotar crianças e continuamos a julgá-los, equivocadamente, penso eu, incapazes do exercício do amor familiar.
Sou contra a legalização do aborto porque o considero um homicídio. Muita gente não entende essa implicação lógica quando supõe que seriam razoáveis argumentos como: "A legalização do aborto permite a escolha livre. Se sou contra, não faço. Se minha vizinha for a favor, ela faz".
Agora, substitua a palavra "aborto" pela palavra "homicídio", como fica o argumento? Fica assim: "A legalização do homicídio permite a escolha livre. Se sou contra, não faço. Se minha vizinha for a favor, ela faz".
Quem é a favor do aborto não o é por razões "técnicas", mas por "gosto" ideológico.





segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Colcha de retalhos

Em minha colcha ainda existem lacunas (retalhos) a serem vivenciados e costurados à minha existência...


    Hoje completo 45 anos, (não tenho medo de revelar minha idade....rs), e o presente que eu mais desejaria, seria acordar sentindo aquele cheirinho (dominical) de café com panquecas, levantaria e iria até a cozinha onde sei que "ela" estaria lá, minha força, meu porto seguro, sem ela sinto-me totalmente perdida, sem rumo, sem colo, sem chão...
    Aqueles são um dos principais odores que me reportam à primeira fase de minha existência. Aquele cheiro tão peculiar me devolve aos braços de minha mãe, lugar onde não caibo mais.
     Sábado minha amiga Sy me proporcionou duas alegrias, a primeira foi recordar minha infância comendo amoras no pé!... Nossa não lembrava como era bom!! Voltava para casa com as mãos e a camiseta tingida de roxo e nunca levei uma bronca de minha mãe por isso. A segunda alegria foi uma festa surpresa, ( em que estavam presentes somente a aniversariante, minha filha, minha sobrinha Ale e a Sy), estava estampado em seu semblante o desapontamento pelo "furo" das pessoas que foram convidadas, mas eu amei de coração!! Logo após chegou o marido da Sy com mais 4 amigos, e não é que transformou-se em um super jantar com emoções automobilisticas e tudo... rs (amiga... acho que Deus te mandou para talvez substituir aquela a quem ele me tirou, para me dar alento nas horas que preciso...).
    As lembranças de minha vida me recordam as velhas tramas das colchas de retalhos, trabalho artesanal que realiza a proeza de fazer novo o que é velho.
     Minhas memórias são como pequenos retalhos que recuperam o viço da beleza quando postos ao lado de outros. O processo da feitura de uma colcha de retalhos é muito interessante. Requer sensibilidade para perceber os contrastes que serão bonitos, quando foram vistos no conxtexto do todo,
     Essa forma de artesanato trabalha a partir de uma reciclagem que proporciona o encontro de tecidos. São oriundos das mais diversas situações. Tecidos de festas, tecidos de mortes, tecidos do cotidiano, todos encontrando o destino de mão de mulheres que os costuram numa trama única. Mulheres que, de maneira ritual e sensível, reconciliam as diferenças do mundo, O tecido pobre, opaco, ganha vida ao ser costurado ao lado do tecido sedoso e vibrante.
     Tecer colchas de retalhos é como realizar um ritual. É descobrir os caminhos que os próprios tecidos sugerem. Há uma notícia escondida em cada cor. Há um sentimento abscôndido em cada retalho, coisas que aos tempos idos pertencem. A vida se registra com generosidade sobre as coisas, É como se houvesse uma memória em cada fragmento da materialidade que nos rodeia.
     Busco nas palavras de Blaise Pascal, o teólogo francês, que na tentativa de compreender uma forma peculiar de inteligência, que pudesse abarcar as verdades da moral, de religião e da filosofia, argumentou de forma brilhante. "O coração tem razões que a própria razão desconhece".
     É verdade. A razão humana não pode abarcar todos os mistérios que nos envolvem. Experimento isso o tempo todo. A vida nos afeta. A vida me provoca. O que delas sorvo, de alguma maneira fica armazenado em mim. São os meus retalhos. Retalhos de alegria, retalhos de tristeza, retalhos de esperança, retalhos de desespero.
     Hoje resolvi costurar os retalhos de minhas lembranças, de minhas experiências. O primeiro retalho de minha vida é o de minha mãe, com ela aprendi as bases da moral, do amor e da solidariedade. Em minha colcha há tecidos de cor desconhecida, há memórias inventadas (palavras de um amigo meu), não me lembro de meu pai, pois faleceu dois anos após minha adoção, mas estão vívidas em minha memória as histórias contadas por minha mãe sobre o orgulho com que ele me carregava pelas ruas dizendo "está é minha filha japonesa". E fiz materializações em minha mente dessas histórias como se me visse em seus braços e escutado essas palavras.
     Em minha colcha de retalhos iniciais também fazem parte meus irmãos, minha irmã Sônia (que foi quem escolheu meu nome) e meu irmão Wilson (minha figura paterna) e sósia de meu ídolo infantil Elvis Presley, eu era invejada pelas amigas por ter um irmão tão lindo.
     Uma lembrança que me marcou referente a ele, foi numa noite em visita a minha mãe perguntou por mim, eu estava num bailinho na casa de uma vizinha, ele se dirigiu até lá, eu toda contente corri até ele quando ouvi " vá agora mesmo retirar essa maquiagem..." (que eu havia feito pela primeira vez...), não me recordo do depois... mas esse instante ficou marcado em minha memória.
     Anos após alguns retalhos foram acrescentados nessa colcha de memórias... casei, tive dois filhos lindos, houve rompimentos mas o retalho da memória fica gravado, conheci pessoas que se tornaram especiais (que contribuíram muito para meu crescimento pessoal, intelectual e íntimo) e algumas até mesmo como se sempre tivessem feito parte de minha vida, mas que vieram no momento exato (amigas para todo o momento) , outros foram passageiros , mas que mesmo assim me ajudaram a tecer a colcha de memórias que me reveste hoje...
     Esse amálgama de "retalhos", esse entrelaçamento de diferentes culturas, personalidades, contribuiram para que eu abandonasse um olhar etnocentrico para um mais relativista, que me impele a ser esse "ser", e "estar" sempre me aprimorando, buscando novos retalhos para que essa colcha de lembranças existenciais se amplie...
PS: Alguns trechos foram retirados do livro "Cartas entre amigos" de Gabriel Chalita e Pe. Fábio de Melo, que me deram inspiração para "voltar" a escrever...
     

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ética


LUIZ FELIPE PONDÉ

Parece que decidimos que "tudo é bonito se dissermos que é bonito". Como nos contos de fadas. Mentira.


DE FATO é muito feio dizer que as pessoas devem ser julgadas pelo que elas "servem". Mas, se o mundo está esmagado sob essa máxima funcional (as pessoas só valem quando "servem para alguma coisa"), ainda queremos que ela seja dita em voz baixa.
Muitas pessoas estão prontas para se indignar quando dizemos que alguém não "serve" para nada. Mas, no seu dia a dia, é esse mesmo jargão que rege seus atos.
Talvez, essa máxima funcional deva vir embalada em bobagens como "tenho direito de ser feliz, por isso vou lhe abandonar, porque não vejo uso em você".
Mas eu, que tenho uma vocação natural para iconoclastia (a arte de ir contra o "coro dos contentes" e não ter medo da opinião alheia, coisa rara num mundo intelectual que agoniza sob a bota do ressentimento dos ofendidos profissionais, a nova face da velha censura), não me contenho e penso em algumas situações onde a máxima "as pessoas só valem pelo que servem para as outras" decidiria nosso futuro. Quer ver um exemplo?
O que diriam para uma jovem mulher (ou homem, tanto faz) caso seu marido (ou esposa) sofresse um acidente que o(a) deixasse inválido para a vida normal? Sem movimento, sem corpo, sem sexo, sem trabalho, sem vida, sem poder ir jantar fora, viajar ou ir ao cinema.
Será que alguém diria "fique ao lado dele até a morte"? Ou "abra mão do seu corpo, do seu movimento, do seu trabalho, do seu sexo, para cuidar dele"? Ou seria mais provável que ouvíssemos coisas do tipo: "Você tem direito de ser feliz, não sinta culpa". Ou, talvez, num modo mais espiritual: "Talvez ele tenha escolhido esta forma de provação, mas você não é obrigada a abrir mão da vida junto com ele". Ou ainda: "Antigamente você seria obrigada a aceitar isso como o fim da sua vida, mas ainda bem que hoje o mundo mudou e as pessoas têm o direito de buscar sua satisfação na vida sem ter que sentir culpa".
A questão aqui em jogo é o caráter insuportável do dia a dia. A perda da liberdade de escolha na qual você é jogada por conta do acidente do outro. A hipocrisia está em negarmos que o abandono como "direito à felicidade" está sustentado na inutilidade do outro para a sua felicidade.
Talvez por conta de minha natureza arredia a festas, coquetéis e eventos, eu entre em agonia diante de tamanho papo furado. Você me pergunta: "Qual é o papo furado?". Respondo que o papo furado é negar que vivemos sob a tutela dessa moira cega que manda em nossa existência: só temos companhia quando "servimos" para algo.
Claro que não há saída fácil para uma tragédia como essa (um acidente que destrua a vida de alguém com quem escolhemos viver junto), mas a saída começa por reconhecermos que você não tem saída. Abrir mão de sua vida é um suplício, mas o outro sabe que se tornou um estorvo em sua vida e que em algum momento terá que encarar o fato de que "não serve mais para nada".
Terrível condição, escândalo insuperável. Seria o silêncio enquanto o abandonamos uma forma mais elegante de fugir? Talvez uma visita de vez em quando e uma boa enfermeira ao seu lado, paga por nós?
A vida nos obriga a fazer escolhas terríveis, mas parece que agora decidimos que "tudo é bonito se dissermos que é bonito". Como nos contos de fadas. Mentira: nossas escolhas são pautadas pelo útil, nossos atos são calculados, nossos afetos são estratégicos. E a moderna ciência do egoísmo encontra as fórmulas para fazer isso tudo bonito. E o contrário disso não é a felicidade, mas a maturidade. Adultos infantis não gostam disso. Preferem ser avatares de si mesmos num mundo sempre florido.
A infantilização do mundo caminha a passos largos. Todos abraçam sua "mentira ética" como forma pessoal de marketing de comportamento. Como numa espécie de "lenda ética sobre si mesmo", queremos projetar de nós mesmos uma imagem de doçura que, na calada da noite, traímos.
É nessa mesma calada da noite que acordo e peço a Deus que me faça não ver os outros apenas como "uso". Mas sempre fracasso. Não pensar nas pessoas apenas como objeto de uso é uma conquista dolorosa, como tirar leite de pedras.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

São Paulo à la carte

LUIZ FELIPE PONDÉ

Desconfie de quem ama a humanidade, porque normalmente ele detesta seu semelhante

VOCÊ SABE o que é a tradição política conhecida no mundo anglo-saxão como "conservative"? No Brasil é quase inexistente. Entre nós, o termo é comumente utilizado para designar (de modo retórico) "pessoas más contra a democracia". Mentira. Conservadores são pessoas desconfiadas que não gostam de fórmulas políticas de redenção.
Por exemplo, eu desconfio de quem diz que ama a humanidade. Normalmente quem ama a humanidade detesta seu semelhante. Comumente pensa que seria melhor que seu semelhante deixasse de existir para, em seu lugar, "nascer" aquele tipo de gente que o amante da humanidade acha ideal. Prefiro pessoas que são indiferentes à humanidade, mas que pagam salários em dia.
O crítico da revolução francesa, o britânico Edmund Burke (século 18) usa esta mesma frase: "Loves mankind, hates his kindred" ("ama a humanidade, detesta seu semelhante") para gente como Rousseau (século 18), mentor espiritual da chacina que foi a Revolução Francesa. Proponho a leitura das suas "Considerações sobre a Revolução na França", pedra filosofal da tradição "conservative", ao lado de "Democracia na América" de Tocqueville (século 19).
Hoje, na América Latina, a onda fascista cresce travestida de "justiça social", e por isso sou obrigado a falar de política, caso contrário acabarei caindo na condição de "idiota" no sentido grego antigo: alguém que não participa da política e os outros participam no lugar dele. Sou pessimista com nosso futuro político imediato: a elite deste país "brinca" com o fascismo de esquerda que se delineia no horizonte. Talvez ela acabe na mesma condição da aristocracia alemã e italiana que achava que podia "brincar" com os fascistas de então, e acabou na condição de cúmplice de um massacre.
Qualquer um que conheça a tradição "conservative" sabe que ela é múltipla e heterogênea. Nasce no século 18 como uma reação à agressão da ganância jacobina. Trata-se de uma sensibilidade política de trincheira. Defende-se, entre outras coisas, da mentira que é a crença em se transformar o mundo a partir de "closet theories" (teorias de gabinete), termo de Burke. O conservador reage a essas teorias não porque seja contra diminuir o sofrimento no mundo, mas apenas porque é inteligente o bastante para perceber o estelionato político dos que se dizem amantes da humanidade. Vejamos um exemplo.
Nos últimos anos um "novo" marxismo surgiu na Europa, uma salada mista de marxismo e Lacan. Nomes como Alain Badiou e Slavoj Zizek são as estrelas dessa nova seita fundamentalista, cozida entre consultórios lacanianos e cafés parisienses. Lacan aqui deve servir pra dar um toque "chique" a uma tradição violenta e banal que matou mais gente do que o próprio Hitler: Lênin, Stálin, Mao e Pol Pot.
Nossos gurus fazem uma leitura infame de São Paulo, fundador do cristianismo, em chave fanático-religiosa, como modelo a ser seguido no combate ao humanismo relaxado da sociedade liberal pós-moderna. Para eles, Paulo seria um exemplo ideal do protorrevolucionário marxista que passou por uma "transformação interior" e descobriu a "verdade" e a levou às últimas consequências. Socorro!
Os gurus, em seus gabinetes chiques, chegam a descrever o amor como "busca da verdade", passo necessário para uma nova "gramática do desejo". Uma "nova política" criada por seres com "gramáticas eróticas libertárias". Puro papo furado para crentes.
Amor não é uma experiência política, nem gramatical, mas afetiva e moral. Não quero que me ensinem a amar da forma correta. Ninguém ama corretamente nem politicamente. Amor é sempre errado. Quando a política se "finge" amorosa é para matar o homem real em nome do amor por uma ideia de homem. Pensar em se "reordenar politicamente a libido", coisa típica dessa seita, é um delírio que autoriza a repressão do desejo concreto em nome de um desejo abstrato, este, claro, definido no gabinete chique do guru. No fundo a seita quer que os homens reais deixem de existir para dar lugar aos homens com "libido politicamente reordenada". Quem seriam eles? Provavelmente os gurus e seus discípulos, como sempre.