Meu nome é Tânia. (percebi nos comentários que sentiram falta desse detalhe...) Minhas paixões são muitas entre elas filmes e livros, dedico aqui alguns momentos para transcrever ( de críticos) e algumas vezes até criar minhas impressões sobre os filmes e livros que me encantam, e também sobre política, educação, filosofia, espero poder interagir com pessoas que tenham as mesmas paixões,criar uma dicotomia e um fórum de ideias e discussões.
''Eu tenho meus motivos pra ser exatamente do jeito que eu sou, acredite.''
Quando leio, sinto que sou transportada àquele mundo imaginário ou até mesmo aquele tempo histórico, sou a protagonista do enredo, a heroína, a vilã. Recentemente li a vida de Sócrates, era como se estivesse presente ao seu julgamento e até mesmo em sua morte. Leio com a alma, e como diz Rubem Alves, às vezes tenho que digerir jiló cozido com nabo cru (apesar de desgostar somente do nabo..rs), e me vejo obrigada a ler livros técnicos mas necessários à minha atualização profissional. Que bom seria se pudessemos fazer somente o que nos causa prazer. Passaria minhas tardes em cursos na Casa do Saber, outras na massagista, cinemas... mas a vida é outra... (pelo menos a minha....) então vivo (como diz meu prof. Clóvis...) A vida que vale a pena ser vivida... Aproveitando cada minuto que me sobra para gozar das coisas boas da vida... Espero que apreciem o texto, me fez sentir várias sensações ao lê-lo, à vocês... Rubem Alves.
Ler pode ser uma fonte de alegria. "Pode ser". Nem sempre é. Livros são iguais a comida. Há pratos refinados, como os cailles au sarcophage, especialidade de Babette, que começam por dar prazer ao corpo e terminam por dar alegria à alma. E há as gororobas, malcozidas, empelotadas, salgadas, engorduradas, que além de produzir vômito e diarréias no corpo produzem perturbações semelhantes na alma. Assim também os livros. Ler é uma virtude gastronômica: requer uma educação da sensibilidade, uma arte de discriminar os gostos. O chef prova os pratos que prepara antes de servi-los. O leitor cuidadoso, de forma semelhante, "prova" um pequeno canapé do livro, antes de se entregar à leitura. Ler sem gostar é prova de doidice. Pelo menos, é o que Adélia Prado pensa: " A televisão está mostrando o hospício, a doida falando:'Quero voltar para casa de portão azul'. Quem fala assim não pode ser doido não. Mais doido é quem fala como o Ednaldo: 'Tou lendo um livro muito ruim, mas vou até o fim...' " Contra os professores de literatura que gostam de ser durões e argumentam que há muito livro duro de roer (a própria expressão está dizendo: nem é de comer, é de roer; objeto apropriado à dieta de ratos e castores) que tem de ser roído de qualquer forma (vai cair na prova, no vestibular), eu cito Borges. Ele conta que, quando foi professor de literatura na Faculdade de Buenos Aires, recusava-se a dar bibliografia a seus alunos. "Não é preciso bibliografia. Afinal Shakespeare desconhecia completamente a bibliografia shakesperiana." E lhes perguntava: "Por que vocês não estudam diretamente os textos? Se tais textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto falar em felicidade obrigatória". Quando minha filha começou a fazer suas primeiras incursões no campo da literatura adulta (desde muito cedo eu a introduzi aos prazeres da literatura infantil), ela teve de ler, como tarefa, o livro de Stendhal O vermelho e o negro (1830). Trata-se de um desses livros duros de roer, tradução do francês, que provocou as mais variadas convulsões estomacais-cerebrais não só em minha filha como também em seus colegas de classe, sobrando as perturbações para os pais, que tinham de vir em socorro dos filhos desamparados, obrigados a comer à força aquela terrível refeição de jiló cozido e nabo cru. Escrevi para o jovem professor (os professores jovens são terríveis, eles ainda não se desembaraçaram do cipoal de teorias aprendidas na universidade, têm sempre muita coisa a provar, e acreditam demais no que pensam saber) falando de meu amor à literatura, de meu desejo de que minha filha aprendesse o prazer da leitura, citei Borges e sugeri que havia uma infinidade de outros livros que seriam de paladar delicioso aos adolescentes, excelentes aperitivos para quem está começando. Ele me respondeu, imperturbável, que seu objetivo era desenvolver uma consciência crítica e que os alunos teriam mesmo de mastigar, engolir e digerir o jiló cozido e o nabo cru. E assim foi. Percebi que ele era professor. Traduzindo em nossa linguagem gastronômica: ele não era um cozinheiro; era um dieticista. É preciso que se saiba que cozinheiros e dieticistas, embora ambos envolvidos em cozinhar, são inimigos radicais. Parece que estão fazendo a mesma coisa. Mas o que um faz nada tem a ver com o que o outro faz. Os dieticistas estão interessados em alimentar de maneira científica aqueles que comem. Medem vitaminas, proteínas, carboidratos, sais minerais, colesterol. Para eles issso é a substância da refeição. Os temperos, cheiros e sabores, eles os usam como disfarces, a fim de que a coisa seja comida. Sua presença é indispensável em hospitais, e ali eles se encontram como auxiliares dos médicos e enfermeiras. Os cozinheiros, ao contrário, não estão interessados em alimentar. Estão interessados em produzir prazer e felicidade. temperos, cheiros e sabores, para eles, não são disfarces: são a própria coisa. A culinária é o kama-sutra da boca, o livro dos prazeres da boca. Cozinheiros são auxiliares dos amantes. A comida que sai das mãos do dieticista é uma coisa de necessidade. A comida que sai das mãos do cozinheiro é uma coisa de amor. Ele era um professor de literatura. Não era um escritor. (Eis uma dialética complicada: de um lado o escritor, aquele que escreve, que faz a coisa; do outro aquele que não faz a coisa, mas faz cicência daquilo que o outro fez: o pianista e o crítico, o filósofo e o professor de filosofia.) Literatura a fim de produzir consciência crítica. quem escreve não escreve a fim de. Para aquele que cria, sua obra é um fim em si mesmo. A literatura não tem objetivos além de si mesma. O prazer da leitura é seu próprio fim. Creio que foi Monet quem se queixou daqueles que perguntavam sobre o sentido de seus quadros. E disse algo parecido com: "Não pintei quadros para que tivessem sentido. Pintei quadros para que aqueles que os vissem os achassem bonitos". A literatura não tem objetivos pedagógicos. Não tem por objetivo a comunicação de ideias. Ela não é uma forma indireta de inculcar verdades que poderiam ser comunicadas de maneira direta em livros de ciência ou filosofia. Um escritor não escreve para comunicar saberes. Escreve para comunicar sabores. O escritor escreve para que o leitor tenha o prazer da leitura. O texto tem de dar provas de que me deseja, dizia Barthes. O texto me deseja? Coisa gastrônomica: o prato tem de ser uma provocação do desejo. A prova de que o texto me deseja está no prazer que ele produz em mim. Quando sou forçado a interromper a leitura, fico triste. Essa é a prova do prazer que o texto me causa. que professor se atreveria a perguntar, numa prova: "Você fica triste quando para de ler um livro?" É possível, nas escolar, dar informações sobre a literatura. Mas não é possível ensinar a amá-la. Paul Goodman, um controvertido pensador norte-americano, diz: "Nunca ouvi de qualquer método, escolástico ou outro qualquer, para ensinar a literatura (humanities) que não terminasse por matá-la. Parece que a sobrevivência do gosto pela literatura tem dependido de milagres aleatórios que stão ficando cada vez menos frequentes". Concordo com ele. São raros raríssimos, aqueles que pelo estudo escolar das coisas relativas à literatura tenham sido levados a amar a leitura. A razão para isso é simples: tudo, em nossas escolas, está orientado no sentido de testar saberes. A questoa do amor pelo objeto - seja a geografia, a história ou as ciências - é estranha aos nossos objetivos educacionais. Não admira que, passados os vestibulares, quase tudo seja esquecido e os livros sejam esquecidos nas estantes. Às escolas e aos pais pouco importa o prazer que o aluno possa ter. O que importa é o boletim. Ler pode ser uma fonte de alegria. Por isso mesmo tenho dó das crianças e dos adolesscentes que, depois de muito sofrer nas aulas de gramática, análise sintática e escolas literárias, saem das escolas sem ter sido iniciados nos polimórficos gozos da leitura. é como se lhes faltassem órgãos de prazer. São castrados. Não pode, penetrar no corpo de prazer que é o livro nem sentir o prazer de ser penetrados por ele. Sabem ler, mas são analfabetos. Porque, como dizia Mário Quintana, analfabeto é precisamente aquele que, sabendo ler, não lê. Rubem Alves
A espiritualidade mesquinha deforma a face do crente, iluminando seus caninos ocultos
CARO LEITOR, sou um pobre de espírito. Não daquele tipo que herdará o reino dos céus, como afirma Jesus no "Sermão da Montanha". Não há lugar pra gente como eu no reino dos céus. Por uma razão simples: não amo ninguém mais do que a mim mesmo. E isso é mortal. Sempre foi. Os mentirosos é que tentam dizer o contrário. Não partilho da nova "ciência do egoísmo", essa que se traduz em livros e revistas que buscam "novas formas de espiritualidade" centrada no amor próprio. Ou nessa coisa horrorosa chamada "autoestima". Tampouco fiz de mim um budista light, desse tipo que parasita as religiões orientais com a intenção de inventar uma espiritualidade que sirva ao clássico egoísmo moderno, numa salada mista de energias hindus com Jung barato. Antes de tudo, recuso o budismo light por um mero senso do ridículo que habita essas formas mesquinhas de espiritualidade. Com isso quero dizer que não trocaria o reino dos céus por alguma forma quântica de paraíso egoísta, ao sabor da espiritualidade de livrarias de aeroporto do tipo "O Efeito Sombra", cujo subtítulo é "Encontre o Poder Escondido na sua Verdade", dos "guias espirituais" Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson, perfeito para almas superficiais amantes de toda forma de espiritualidade mesquinha. O que é uma espiritualidade mesquinha? Fácil responder essa. Espiritualidade mesquinha é, antes de tudo, uma forma de crença que deforma a face do crente, iluminando seus caninos ocultos. Aquela que sempre medita com o objetivo de nos tornar mais poderosos e bem-sucedidos. Essa praga espiritual está em toda parte porque, simplesmente, não conseguimos entender que, para salvarmos nossa vida, temos que perdê-la. Jesus tinha razão. O principal obstáculo para se libertar do mal é o "eu". Essa peste que contamina todo ato humano. Como vampiros de Deus, queremos fazer até da "sombra" (do mal em nós) um serviçal de nosso sucesso. Sou um pobre de espírito. Passo horas temendo o abandono, o desprezo e a indiferença. Comparando meus pequenos sucessos com os mais infelizes do que eu. Ainda bem que eles existem. Rezo para que o mundo me ame. Em meus pesadelos sempre sou o último dos amados do mundo. Quando encontro alguém melhor do que eu, perco o sono, quero destruí-lo. Sua respiração me sufoca. Sua generosidade me humilha. Seu sorriso é uma prova de que fracassei em amar o mundo. Que o leitor apressado não pense que estou numa crise de autoestima. Que o leitor crente nessas formas de espiritualidade mesquinha não aplique psicologia barata ao que digo, tentando justificar tudo que lê com alguma hipótese acerca do cotidiano de quem escreve. Você não me conhece. Mas seguramente conhece a miséria que vos falo: quem ama alguém mais do que a si mesmo? Não vale jogar na cara dos outros amores maternos e paternos ou filiais. Na era do "direito à felicidade do indivíduo", até a ciência já está provando (vide o diagnóstico apresentado pelo caderno Equilíbrio desta Folha no último dia 3/8) que ter filhos é um mau negócio. Pais e mães são mais estressados do que adultos sem filhos. E é a mesma ciência que agora "descobre" a miséria dos pais, que a cria, em grande parte, com suas demandas "cientificas" de aperfeiçoamento da função parental. Ninguém mais sabe ser pai e mãe sem a palavra de uma especialista. Como sempre digo, a mania de criar um "homem" melhor vai nos destruir a todos. Como idiota digital que sou, busco rapidamente na internet alguma nova teoria científica ou política que prove que ninguém é melhor do que ninguém. Que nos reúna num ato de mediocridade comum. Alguma nova técnica de treinamento em recursos humanos que devolva a mim minha falsa glória. Meu objetivo é fazer inveja a Deus. Entendo Caim em seu ódio por Abel. Ao contrário das bobagens que afirma Saramago em seu livro "Caim" -críticas típicas de quem nada entende acerca da tradição bíblica porque permaneceu infantil espiritualmente-, Caim não suportou o fato de que Abel era melhor do que ele e por isso o matou. Existe algum Abel aí ao seu lado?
Quando você, leitor, tiver dúvidas de como lidar com uma mulher, contrate uma consultora lésbica
CARO LEITOR, quando você tem dúvidas de como fazer uma mulher feliz (desculpe-me a presunção de querer saber o que seja uma mulher feliz), como você faz?
Conversa com amigos? O irmão mais velho? Usa o velho método de tentativa e erro (claro, sempre errando ao final, porque afinal trata-se da mulher e seu desejo insaciável)? Sinto lhe dizer, essas soluções já eram. Existem métodos mais modernos. Um amigo me disse que hoje há uma tendência absolutamente inovadora no mercado dos afetos.
Qual é? Você não sabe? É duro ser ultrapassado, hein? Saiba que existem formas supermodernas para lidar com esta patologia (já descrita pela neurociência) como "lazy brain". Esta patologia consiste em cérebros que recusam novas sinapses e que se alojam em caixas cranianas (igualzinha à sua), que, por sua vez, são ligadas a ossinhos que, juntos, perfazem o que você singelamente chama de "meu pescoço".
O tratamento consiste basicamente em fazer primeiro uns 15 minutos de ioga, depois, mais 15 minutos de meditação transcendental e, por último, um curso de 15 minutos de clown mais todo tipo de inovação que a neurociência lançar naquele dia específico em que você se sentir ultrapassado.
E a nossa inovação de hoje? Quando você, leitor ultrapassado, tiver dúvidas de como lidar com uma mulher, contrate uma consultora lésbica. Esta consultoria deve ter sido inventada em um desses países superavançados onde todo mundo é livre, feliz, recicla lixo e anda de bike. Esses lugares onde existem milhares de pessoas com "consciência". Não confie seus segredos a pessoas com "consciência".
Segundo a nova tendência, a lésbica é, na realidade, quem melhor entende de mulher. Bem, ela é mulher. A lógica é bem lógica, afinal. Quem melhor sabe onde um corpo de mulher sente prazer do que alguém que tem um corpo de mulher? Quem melhor "sabe o que uma mulher quer na vida" (expressão tão metafísica quanto "salto quântico") do que alguém que "quer a mesma coisa na vida que a mulher, porque é mulher"? Será que a lésbica e a hétero querem a mesma coisa?
Calma. Beba um gole de água. Álcool não, porque ainda é cedo. Se não morrer de medo de câncer, fume um. Pense o seguinte. O mercado de "filme adulto" sempre colocou relações sexuais entre mulheres em filmes para heterossexuais, certo? E por quê? Porque o sonho de todo cara é sair com duas gatas e vê-las em ação. E qual a razão disso? Ninguém sabe.
Mistérios metafísicos... Deus existe? Minha mãe me ama? Serei feliz sendo honesto? Todo cara quer duas gatas... Who knows why? Deus está trabalhando neste exato momento, com sua equipe, tentando entender porque Adão exigiu duas Evas pra ele.
Sei que a esta altura a turma das chatas, que só gosta de eunucos, está gritando: "Isso é a prova de que o mundo é patriarcal e que o corpo da mulher é visto como objeto de consumo". Mas hoje estou sem saco de conversar com elas, que fiquem gritando. Hoje estou mais preocupado com as inovações no mercado dos afetos e com o que as lésbicas têm a nos ensinar.
Finalmente os héteros perceberam que os homos são o futuro? Os caras "entenderam" que lésbicas sabem dar mais prazer, carinho e compreensão às mulheres do que eles? Seria a vez das mulheres contratarem gays para explicar o que homens gostam na cama e na vida? No lo creo.
Ou isso tudo nada mais é do que o velho impulso cafajeste que existe em todo homem e que levou Woody Allen a colocar Scarlett Johansson beijando Penélope Cruz em "Vicky Cristina Barcelona"? Aliás, viu Deus? Aprenda com o ateu Woody Allen. Era isso que Adão tinha em mente, seu tolinho.
E você, cara Eva, você concorda que lésbicas "sabem melhor" o que você quer? Seu amigo gay lhe dá uma ideia melhor do que um homem de fato quer?
Ou será que, para além do sonho da Scarlett e da Penélope em ação, o homem está mesmo é perdido nessa era boring do "acesso" e da ciência na qual somos todos obrigados a "saber tudo" o tempo todo agora e "respeitarmos o espaço do outro"? E por isso, ele já não sabe o que fazer para saber o impossível: o que a mulher, afinal, quer?
No século 20, o novo totalitarismo está associado à inflação da ideia de "bem público"
ELA PROVAVELMENTE estudou serviço social ou direito. Ele, psicologia ou pedagogia ou mesmo ciências sociais. Ambos têm certeza de que devem "melhorar o mundo" através da criação de leis ou políticas públicas. Querem criar o cidadão ideal. O que é isso? Sei lá, alguém que vá ao banheiro com consciência social? Conhece alguém assim? Eles estão em toda parte, como uma praga querendo domar a vida a qualquer custo. E vão mandar em você logo. Não se trata de uma questão apenas para alguém que tem simpatias por formas de vida menos controlada, como eu. Alguém que fuma charutos cubanos e acha que terapia de shopping faz bem mesmo (quem diz o contrário é mentiroso ou não tem dinheiro). Eu sei que o efeito dessas terapias passa rápido, mas, afinal, o que passa rápido mesmo é a vida. O controle legal da vida, grosso modo, separa dois modos de ver a política desde o século 18. Um primeiro modo, "mais" britânico, tende a ser mais cauteloso em relação às formas políticas e legais de controle da vida moral (hábitos e costumes). Outro, mais descendente da revolução francesa, tende a babar de tesão só em pensar no controle dos hábitos e dos costumes, devastando a diversidade moral do mundo, como na proibição do véu islâmico na França. No Brasil, temos um déficit sério em nossa formação. Quase todo mundo só conhece os franceses utópicos ou os alemães hegelianos (todos jacobinos de espírito), o que empobrece o debate público. Essa pobreza não se limita ao senso comum, mas, desgraçadamente, atinge a própria academia que repete cegamente a liturgia da gula republicana: controlemos a vida em nome de uma vida perfeita. Mas o que é a gula republicana? A democracia republicana tende a devorar o espaço moral. Ela o faz porque vê o espaço moral como matéria da "coisa pública" e, por isso, assume os hábitos e costumes das pessoas como devendo ser, por natureza, objeto sob seu controle. É marca da democracia republicana o "poder minutal" (dizia Tocqueville, francês que pensava como britânico): sua natureza é buscar controlar os detalhes da vida. Quais detalhes? Legislar afetos, hábitos, sentidos, sexo, relações parentais íntimas, comida, escolas, memória, nada escapa da gula republicana e seu clero. Leis que querem fazer de pais e filhos delatores uns dos outros, de amantes representantes do "sindicato dos gêneros". Erra quem ainda associa o fenômeno totalitário às formas clássicas do fascismo do século 20, o novo totalitarismo está associado à inflação da ideia de "bem público". Se você der uma palmadinha no filho, o Estado te pega! Quem vai denunciar? Que tal ensinar às crianças nas escolas alguns métodos de denúncia? A família já vai mal mesmo. Onde estaria a fronteira desta inflação da noção de "bem público"? Vamos ver... ah, já sei: não existe fronteira! Quer ver? Imagine só: está proibido rezar antes de jantar em nome da liberdade religiosa das crianças, está proibido contar historinhas paras as crianças sem antes uma análise prévia por especialistas da questão da violência de gênero, pais que não tiverem o certificado de "alimentação zero gordura e zero açúcar" pagarão multa. Dirá o leitor ingênuo: mas a opinião pública é contra a lei das palmadinhas. Sinto muito: a opinião pública é uma "vadia". Hoje ela diz "não", amanhã ela dirá "sim", tudo depende do que for repetido cem vezes. A democracia sofre com esse mal: sua natureza tende fatalmente para a mentira, para a retórica, para a superficialidade. Para preservar a democracia de seu viés tirânico (a gula republicana), temos que "defender" a família e suas mazelas em seu espaço (in)feliz, deixar que o manto sombrio da incerteza cubra parte de nosso cotidiano porque, o que preserva a liberdade, não é o consenso acerca do que sejam os "bens morais", mas a sombra que os cerca. Para preservarmos esta "sombra", é necessário opções à tendência hegemônica no Brasil hoje, que é autoritária. Veja as "opções presidenciáveis". Todos são do clero jacobino de alguma forma. Todos veem a política como "curadora" das almas. Socorro!
Ninguém muda ninguém;
ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.
Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos.
Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.
Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?
As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas, cheias de arestas.
À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.
Assim também agem nossos contatos humanos.
Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.
Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.
É começar e terminar a existência
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás,
vejo que hoje carrego em meu ser
várias marcas de pessoas
extremamente importantes.
Pessoas que, no contato com elas,
me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas,
transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.
Outras, sem dúvidas,
com suas ações e palavras
me criaram novas arestas,
que precisaram ser desbastadas.
Faz parte...
Reveses momentâneos
servem para o crescimento.
A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida
como grandes pedras,
cheia de excessos.
Os seres de grande valor,
percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...
Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos, ínfimos,
dada a compreensão da existência
e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.
Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago.
É lá que está o verdadeiro valor...
Pois, Deus fez a cada um de nós
com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto,
constituído de muitos elementos,
mas essencialmente de amor.
Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar...
Mas temos que aprender como.
Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar
Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido,
ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.
Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...
os superando.
Ora, esse sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...
E envolvimento gera atrito.
Minha palavra final:
ATRITE-SE!
Não existe outra forma de descobrir o amor.
E sem ele a vida não tem significado.
Claire Danes é Mirabelle, uma jovem frágil que chega Los Angeles, vinda do Estado de Vermont, na esperança de começar vida nova como artista. Por enquanto, porém, ela passa seus dias trabalhando no setor de luvas da loja Saks Fifth Avenue em Beverly Hills e suas noites sozinha em seu apartamento escuro em Silver Lake.
Os dois homens da vida de Mirabelle não chegam a disputar o seu coração diretamente. Na verdade, talvez nem ela saiba como tratar este órgão que pulsa, mas não pensa. Ray entra em cena apenas depois que Jeremy já está descartado. Ao lado do primeiro, um cara desligado do mundo, ela se diverte, afasta temporariamente a sua solidão, mas não consegue ver um futuro muito promissor. Quando conhece o segundo, começam os sonhos de qualquer mulher: um homem rico, bonito, bem sucedido, romântico e carinhoso. Pena que tudo o que ele queira em troca é passar as noites com a menina quando estiver em Los Angeles. E lá está ela novamente, sozinha com o seu travesseiro.
A trama é focada nos romances da jovem Mirabelle. No início do filme, a vida afetiva da moça está tão parada quanto o seu próprio trabalho, onde fica longas horas em pé à espera de algum cliente interessado em comprar luvas. Mas tudo isso muda quando a moça conhece dois homens com características opostas.
Primeiro, o atrapalhado e pé-rapado Jeremy (papel de Jason Schwartzman) e, depois, o rico e solteirão convicto Ray Porter (Steve Martin). Na esperança de encontrar o amor que lhe traga sentido à vida, Mirabelle envolve-se inicialmente com Jeremy, mas será mesmo o glamour do romance com o cinquentão Ray, o grande responsável por lhe tirar o equilíbrio.
Ao aprofundar-se neste relacionamento iniciado como um conto-de-fadas, mas aos poucos temperado com amargor, a fita revela-se uma tocante crônica sobre as histórias de amor modernas, onde nem sempre o desfecho é o esperado.
Danes entrega uma Mirabelle com vulnerabilidade e dignidade nas medidas certas.
O filme ainda reserva bons momentos cômicos, neste caso à cargo das trapalhadas do personagem Jeremy.
A vida não é mesmo fácil. E este é o ponto interessante do filme. Ele mostra os desencontros entre os sentimentos dos três personagens, nos lembra que o amor independe apenas do querer de uma pessoa ou das condições financeiras dos envolvidos. É um filme que acusa os homens que um dia já foram canalhas e, de uma forma generalizada, se vinga deles, numa vã tentativa de pedir desculpas às mulheres que foram suas vítimas. Aponta também o quanto uma pessoa apaixonada pode mudar para conquistar seu alvo.
Os dramas podem não se aprofundar muito nas questões sérias, arranhando temas como depressão e solidão na cidade grande, mas consegue trazer à superfície sentimentos que eventualmente surgirão nas vidas das pessoas.
É nesta elegância no tratar do amor, na fuga da solidão, nos contrastes entre pretendentes tão díspares e igualmente cativantes que Garota da vitrine surpreende.
Como aprendemos com Ray, seu personagem aqui, o dinheiro pode comprar muita coisa, mas não consegue preencher todos os vazios dos corações e lhe demonstra que algumas vezes o amor requer reciprocidade.
(...) Mas Mirabelle, sentindo a reciprocidade do seu amor pela primeira vez, afasta-se de Ray. E enquanto Jeremy oferece ainda mais seu coração, Mirabelle retribui na mesma medida. Assim, Jeremy supera Ray Porter como amante de Mirabelle, pois o que oferece a ela é terno e verdadeiro.(...)
(...) Ao ver Mirabelle se afastar, Ray Porter sentiu uma perda. Como é possível, pensou ele, sofrer por uma mulher que manteve à distância para não sentir falta dela quando ela fosse embora? Só então percebeu o quanto querer só uma parte dela fez os dois sofrerem. E como não podia justificar seus atos exceto por, bem... A vida é assim. (...)
Terminei de ler um livro interessantíssimo de Pierre Miquel que mostra as datas que realmente marcaram o mundo, claro que na visão do autor na minha opinião existiram várias outras datas importantes que também "abalaram" o nosso pequeno planeta, como por exemplo o 11 de setembro, a chegada do homem a lua...etc...
1) O Nascimento de Cristo O antes o bloco imperial augusto e marmóreo do Império Romano que domina inteiramente o mundo conhecido e para que os cidadãos de Roma exploram no melhor de seus interesses os povos vassalos e os numerosos escravos.
O depois é o nascimento do indivíduo como valor universal, livre, igual a seus irmãos, adorador de um Deus único, de um Deus de amor gerado por uma mulher, é o primeiro Deus que aparece como uma criança, nem Zeus, nem Atena foram bebês. Nasce inocente e nu, Maria o amamenta, é vulnerável como um homem pode sofrer e morrer.
Jesus é um homem entre os homens, que dá a seus irmãos a louca esperança de igualdade. Nada de escravos. Um homem é feito para a liberdade.
É perseguido, torturado e morto pelo imperador romano, pois sentia-se ameaçado.
Quem fala de conquistas, quando é preciso amar? A mensagem de Cristo é de amor. Nem ódio nem guerra. Amai-vos uns aos outros. O homem não é o lobo do homem, mas um irmão.
2- A queda do Império Romano
O antes de 476 é a ficção da unidade do mundo romano, que se mantém vivo até então por meios artificiais e se torna cristão a partir do reino de Teodósio. O império do Ocidente só continua no lugar pela forte resistência do império do Oriente, mais sólido.
O depois de 476, muito tempo após as grandes invasões, constitui a ruptura da unidade do mundo mediterrâneo com o desaparecimento definitivo do Império Romano do Ocidente. É também o aumento da intolerância religiosa em consequência do crescimento das primeiras heresias nos reinos bárbaros, que constitui para impedir a reconstituição de uma unidade.
Visigodos: godos do oeste (wisigoths)
Ostrogodos: godos do leste (ostrogoths)
3- A Hégira
O antes da Hégira, o ano I da era muçulmana, o ano 622 da era cristã, representa a divisão do mundo conhecido entre os reinos bárbaros do oesta da Europa, fragmentados, divididos e ainda submetidos às invasões, e o império bizantino cristão que sobrevive a leste do Mediterrâneo.
O depois a Hégira é a conquista muçulmana, a guerra senta, mantida pela fé de uma nova religião que deixa subsistir no Oriente um império bizantino enfraquecido e que estende seus avanços no ocidente até a Espanha e ao sul da Gália, cortando em dois o Mediterrâneo durante quatro séculos.
Beduínos, homens do deserto, viveram perdidos no deserto da Ásia e na obscuridade, a partir do séc. VII exerceram importante papel na sucessão do Império Romano; comercializavam camelos, peles, carne, lãs, até o séc. VII.
Nesse tempo os romanos não tinham interesse por essa área do deserto em que eles viviam.
Hégira é a fuga de Maomé de Meca para Medina.Fazia parte de um grupo de homens que em MECA cuidava da CAABA, um cubo que continha um meteorito (pedra negra) segundo a religião a pedra era branca e ficou negra pois as pessoas passavam seus pecados a ela, eram politeístas. Maomé “fugiu” formou um exercito e voltou a Meca para derrotar os árabes.
Hagar foi escrava de Abraão que deu origem aos hebreus, casado com Saara, era idosa quando ele foi eleito fundador do povo de Israel, povo judeu, e não tinha condições de procriar, Jeová autorizou Abraão ter relações com Hagar para que ela lhe desse um herdeiro para continuar seu trabalho o filho chamou-se Ismael, mas Jeová mudou de planos e a esposa Saara engravidou e teve Isaac.
Ismael comandou a civilização Árabe e Isaac aos israelitas, judeus(Semitas)
A pedra foi usada por Hagar para seu filho dormir, fugiu da palestina para Arábia.
Maomé ficou órfão e foi trabalhar como condutor de caravanas. Casou-se com sua patroa Cadija e após o casamento não mais trabalhou ganhando assim tempo para pensar e criar a religião Islâmica, aos 40 anos ele recebe a visita do arcanjo Gabriel que lhe revela sua missão como profeta. "Alá é um Deus eterno e único, ao lado do qual não há outro deus, não tem esposa nem filho, não desce sobre a terra nem envia mensageiro do céu, dirige-se ao mundo exclusivamente pela boca de seu profeta".
Nessa época Maomé conheceu outras civilizações como por exemplo os persas. Ele queria uma religião monoteísta então baseou-se na bíblia.
Maomé era analfabeto então foi seu sogro Abril Becha que escreveu o Alcorão após sua morte. O islamismo tem como ponto central a CONDUTA MORAL, não se admite álcool, adultério é altamente condenável. O homem pode ter 4 esposas desde que tenha condições financeiras para tal.
Omar conquistou o Egito em 702, Norte da África até a coluna de Hércules, estreito entre África e Península Ibérica.
Gib El Taric 710- atravessou a coluna de Hércules na batalha de Cádiz e derrotou os cristãos ibéricos.
Somente o Reino das Astúrias ficou livre da dominação.
Não tinha caráter doutrinário e sim somente dominou economicamente.
Carlos Martelo (franco-cristianismo) enfrentou os islamitas na Batalha de Poitier, derrotou os islamitas em 732.
1453 conquista de Constantinopla.
Expansão Muçulmana- Domínio Econômico não com visões religiosas.
4- A coroação de Carlos Magno
O antes de 800 é na Europa a anarquia de reinos impotentes diante das novas invasões bárbaras, da ameaça árabe sempre presente, de um papado ameaçado pelos bárbaros dentro de seu território.
O após 800 é a Europa civilizada pelo cristianismo, expandida em direção ao norte e a leste, livre da influência do islã ao sul. Sob o abrigo das marcas de Carlos Magno, ela pode se considerar e se dizer reunificada: a ideia de um império renasce no Ocidente, graças à coroação de Carlos, o Grande, pela única autoridade espiritual que sobreviveu ao antigo império romano. Essa reconstituição da Europa do Noroeste é o prenúncio da imagem de uma Europa unida.
5) A tomada de Constantinopla pelos turcos
O antes de 1453 é a sobrevivência de um Estado cristão incrustado no Oriente. O Império de Bizâncio é uma espécie de exceção cristã em um mundo muçulmano.
O depois de 1453 é a ameaça permanente do avanço muçulmano no Mediterrãneo e na Europa danubiana. É a instalação do Islã turco, senhor de um imenso império, que se estende do Oriente Próximo até a Europa.
O mediterrâneo se fecha. A rota das riquezas do Oriente é vetada para o Ocidente cristão, é necessário procurar em outro lugar, em direção ao oeste, as vias de desenvolvimento para uma Europa nascente.
6) O descobrimento da América
O antes de 1492 é o infortúnio do mundo mediterrâneo dividido entre o Islã e duas Cristandades antagônicas, irreconciliáveis, a do Oriente e a do Ocidente. É também a miséria e a guerra entre os turcos otomanos e as poderosas nações de religião católica ou ortodoxa.
O depois de 1492 é a entrada para a história do novo continente americano, é o abandono, por parte do grande comércio, do Mediterrâneo entregue às suas lutas intestinas, é a exploração progressiva das fabulosas riquezas do outro lado do Atlântico, o que desloca em direção ao noroeste da Europa os centros do poder.
7) Martinho Lutero
Antes de 1517, a Igreja católica ainda é universal na Europa ocidental, onde o papado de Roma não é seriamente contestado, mesmo se criticado em razão de vários abusos e de sua incapacidade em corrigi-los. Mas ele soube domar as heresias e impor-se aos soberanos dos Estados.
Depois de 1517, pela iniciativa do monge alemão Martinho Lutero, a reforma protestante contesta a supremacia espiritual de Roma, divide os Estados europeus que adotam a nova religião e que se opõe dessa forma aos Estados católicos. A reforma iniciada por Martinho Lutero anuncia um longo período de guerras de religião que causarão a morte de vinte milhões de pessoas na Europa.
8) A Revolução Francesa
Antes de 20 de junho de 1789 a França é governada por uma monarquia de direito divino, um Estado que extrai sua legitimidade unicamente da sucessão dos reis, baseada no costume, e de uma organização social fundada no princípio do privilégio, que rege toda a sociedade. Ela é dividida em três Ordens: a nobreza. o clero e o Terceiro Estado. Cada uma dispões de um lugar estabelecido em instituições representativas, sem poder legislativo, como os Estados Gerais convocados pelo rei ou os Estados provinciais, quando as províncias possuem um.
Depois de 20 de junho, os deputados eleitos pelo povo, reunidos em assembléia constituinte, declaram que a lei é superior ao rei e afirmam que a lei é comum a todos. É uma revolução. Falta somente abolir o privilégio.
9) A Primeira Guerra Mundial
O antesde Sarajevo, em junho de 1914: a Europa dos reis prossegue tranquilamente a conquista e a exploração do mundo, não sem batalhas entre as nações e não sem resistências populares e coloniais.
O depois de Sarajevo é o nascimento de um novo mundo: a Europa perdeu o primeiro round, causando e sofrendo a primeira grande carnificina da História. Dois Estados que deram dois milhões de homens para a coalizão aliada destacam-se Rússia revolucionada e os Estados Unidos vencedor, e impõem em Versalhes os princípios de um direito internacional ao qual todos os povos devem aderir: Wilson contra Lênin.
10) A Declaração de Balfour
Publicada em 2 de novembro de 1917, em plena guerra, a declaração do ministro britânico promete ao povo judeu o apoio do Reino Unido quanto ao "estabelecimento, na Palestina, de um lar nacional". Ele empregará "todos os esforços para facilitar a realização desse objetivo, estando bem claro que nada será feito que possa ferir os direitos civis e religiosos das comunidades não judias existentes na Palestina".
Antes dessa declaração, os judeus não dispõem de nenhum estabelecimento oficial no mundo que ofereça a seu povo uma segurança.
Depois dessa declaração, torna-se possível obter um estabelecimento oficial e fortalecê-lo até que se transforme em uma nação independente e soberana.
11) O Holocausto
O antes do Holocausto, o massacre de judeus e ciganos, de 1941 a 1945, nos campos de extermínio, é a invasão da Europa pelos nazistas, é o estabelecimento da ordem negra diante da ordem vermelha, o que implica a perseguição dos opositores e particularmente dos judeus, vítimas da política racista de Hitler, mas ainda não a morte cínica e cientificamente comprovada.
O depois do Holocausto, o maior crime da história cometido deliberadamente contra a humanidade, é a inclinação dos povos do mundo inteiro na direção da busca, contra todas as agressões de uma proteção sem concessões, dos direitos elementares do homem e principalmente do direito de viver.
12 - Hiroxima
A explosão da primeira bomba atômica sobre a ciade de Hiroxima, em 6 de agosto de 1945, abre um novo período na história da humanidade.
Antes de Hiroxima, as guerras podem ser tecnológicas, terroristas, atentatórias contra os direitos humanos, mas elas não possuem meios para garantir a destruição instantânea e total de uma população.
Depois de Hiroxima, está provado que essa destruição é possível em uma escala cada vez mais vasta. O mundo entra na era do superarmamento atômico e na era do equilíbrio pelo terror entre as duas grandes potências que dispõem da arma: os Estados Unidos e a URSS.
13) A independência da Índia e do Paquistão
Antes de 1947, o sistema colonial persiste no mundo. As metrópoles enfraquecidas pela guerra impõem o retorno à ordem em suas colônias.
Depois da independência da Índia, conquistada em 1947, um poderoso movimento de descolonização se ergue no Terceiro Mundo, e ele conduz progressivamente à independência de todos os países colonizados, inclusive as Filipinas e a África do Sul.
A comunidade das potências aumenta na ONU, com a eclosão das novas nações em todos os continentes. Um novo mundo nasceu, e ele encontra seu lugar no "Terceiro Mundo".
14) O Tratado de Roma
A partir de 25 de março de 1957, os tratados de Roma criarama CEE, Comunidade Econômica Européia.
Antes de 1957, a Europa, que é constituída em nações antagonistas, está entregue às revoluções, às guerras de independência, aos imperialismos, às angustiantes rivalidades econômicas. Sua unificação é um sonho de intelectual, uma ideia que aprece impossível de colocar em marcha.
Depois de 1957, a Europa unida conhece um crescimento rápido, ignora meio século de guerras, começa na concórdia e na prosperidade a construção política de suas instituições, para se posicionar no mundo como um grande conjunto democrático.
O neofacismo, ao contrário do nazifascismo, não consiste em impedir de dizer, mas em obrigar a dizer. A maioria dos cidadãos, por natureza, nunca conseguem descobrir por si mesmos o que é certo ou errado, e seu dever cívico consiste em prestar obediência: a tarefa dos governantes da República consiste em inculcar nesses cidadãos as crenças "corretas", isto é, crenças que promovem a estabilidade do Estado, pois o que importa não é tornar os homens sábios, mas apenas obedientes - a grosso modo, essa é a ideia básica da República de Platão. Em O Grande Inquisitor, o porta-voz de uma espécie de utopismo autoritário, herdeiro ideológico direto do utopismo platônico, é um cardeal católico do século XVI, chefe supremo da Inquisição espanhola. Seu principal argumento é simples: o homem é uma criatura fraca e deplorável, incapaz de alcançar a paz ou a felicidade, a não ser submetendo-se ao governo de alguns poucos seres humanos superiores, no caso o clero, capazes de lhe determinar o seu destino social. Se, por um lado, Dostoievski pretendia, ao escrever, no fim do século XIX, a lenda do Grande Inquisitor, fazer uma crítica à Igreja católica, que para ele não passva de um ateísmo disfarçado e motivado apenas por uma incessante vontade de poder, por outro lado, tratava-se de um alerta e de uma antecipação dos regimes totalitários que, em nome da felicidade humana, constituíram o principal conflito ideológico do século XX. Nesse sentido, O Grande Inquisitor, aparentemente uma inocente paródia religiosa, é na verdade um provocador discurso político, uma confrontação alegórica entre duas ideologias opostas. Acima de tudo está em debate a questão central da liberdade humana, e essa pequena obra-prima de Dostoievski se transformaria no protótipo de todos os futuros Big Brothers da literatura e da história, antecipando e profetizando os verdadeiros formigueiros humanos em que se transformariam as sociedades contemporâneas, com seus cidadãos infantilizados e "ovinos" e seus governantes paternalistas, que sob o pretexto da felicidade humana, almejam, na verdade, apenas uma coisa: o poder. Rubens Rusche.
Na época mais terrível da Inquisição, um homem (Jesus) é preso pelo Santo Ofício por ter sido visto fazendo milagres. O Grande Inquisitor vem interrogá-lo, mas acaba fazendo uma surpreendente revelação. O início de seu monólogo é tão rico que vemos as pessoas sendo conduzidas às fogueiras no auge da grande Inquisição.
“Estamos em Sevilha, no século XVI”, diz o narrador. O confronto – que na realidade não há, pois “Cristo” a tudo ouve, sem emitir uma única palavra – toma conta de toda a peça. Não há cenário, apenas dois bancos dispostos em diagonal. Um homem da inquisição pretende queimar na fogueira aquele para o qual “trabalha”. Uma pequena heresia de Dostoievski, em um texto que mexe a todo momento com os limites da fé.
Intolerância religiosa. Queimamos aqueles que são de nós diferentes. Arrasamos com o pensamento contrário ao nosso. Enfim, não se acabou a queima na fogueira, pois as palavras também agridem, também condenam, também queimam.
O Grande Inquisidor é um espetáculo textual, que conta com uma aula de atuação de Celso Frateschi, ator que se agiganta no palco. Não há nada que possa quebrar a concentração da platéia: nem elementos de cena, nem trilha sonora. Apenas o texto e o ator, de corpo inteiro.
Pondé como sempre com sua sinceridade ácida sem perder sua (frustrada) função de crítico de cinema...
LUIZ FELIPE PONDÉ A viúva e o cowboy
Uma palavra que, com o passar do tempo, começou a me encher o saco foi a palavra "cidadania"
NÃO GOSTO de arte como ferramenta de cidadania. Uma palavra que, com o tempo, passou a me encher o saco foi "cidadania". "Faixa cidadã" (faixa para motocicletas), "teologia cidadã". Desta, então, eu não tenho a mínima ideia do que seja. Talvez (arrisco uma hipótese, toda minha, mas inspirada no que poderia ser a defesa da "cidadania bíblica dos gays"), seja uma releitura da Bíblia a partir da "Queer Theology" ("teologia bicha")? Ou seja, quem sabe Jesus e seus discípulos formavam uma comunidade gay e a traição de Judas teria sido uma crise de ciúmes porque Jesus preferia "meninos" como João. Humm... Tem mais: "Pedagogia cidadã" (seria: "Não reprove ninguém, respeite os direitos dos alunos não saberem nada da matéria e permitam que eles construam as avaliações coletivamente"), ou "geografia cidadã" (no lugar de ensinar a localização dos países na aula de geografia, obrigue os alunos a saberem de cor a gloriosa história do sindicato dos boias-frias), ou "sexo cidadão" (deve ser sexo sem invadir a intimidade do/a outro/a!!). Nem o coitado do Rousseau (e seus tarados jacobinos), que amava a humanidade, mas abandonou os filhos e a esposa, imaginou que levassem tão longe seus pobres delírios em suas caminhadas solitárias. E o pior é a história do "voto cidadão" e "a festa da democracia para a qual o título é seu convite". Sou obrigado a votar e ainda chamam isso de "direito cidadão". Quer saber? Deixem-me em paz e não me obriguem a votar. Acho que o voto deveria ser facultativo no Brasil, como é na maioria dos países civilizados do planeta. Mas eu dizia que não gosto desse negócio de arte como ferramenta de cidadania. Por quê? Porque faz da arte coisa de retardado. Antes de tudo, nada contra o uso de arte nas escolas. Mas, é claro, a maioria de nós (incluindo a mim mesmo que não sei desenhar nem uma casinha) não é capaz de qualquer arte. Este papo de que "todo mundo tem uma competência que lhe define" é conversa mole de pedagogo de autoajuda. Melhor logo dizer que o universo conspira a favor de todos os alunos e que basta se concentrar que você vira Da Vinci ou Shakespeare. A história do mundo, seja ela artística, política, econômica, social ou científica, sempre foi feita por alguns poucos seres humanos. A maioria nunca fez nada além de tocar sua vidinha medíocre e continua assim, afora a "publicidade cidadã". Num sábado de preguiça, eu e minha bela esposa assistimos na TV a um filme de cowboy, desses antigos nos quais homem é homem e mulher é mulher (que saudade...), com James Stewart, Rachel Welch, Dean Martin e George Kennedy chamado "O Preço de um Covarde". Nada deste papo furado de "filme cidadão", onde as mulheres lutam com espadas para provar que são iguais aos homens (ou melhores do que os homens), ou heróis se emocionam diante de uma lagartixa em agonia ou lutam em favor de um país africano onde todo mundo é santo, menos os brancos interesseiros. Enfim, essa arte com compromisso social é sempre lixo. O filme apresenta a vida como ela é: sem coerência, sem roteiro moral prévio, submetida ao acaso desarticulador de toda esperança vã. Rachel Welch é uma recém-viúva milionária. É pega como refém pelo bando de Dean Martin, condenado à forca, mas que é salvo pelo irmão James Stewart. Este é um homem generoso que busca salvar seu irmão não só da forca, mas do desencanto com a vida que o levou ao crime. George Kennedy, xerife da cidade e apaixonado por Rachel Welch, é um homem honesto e virtuoso que irá corajosamente à caça do bando. Dean Martin encontra na inesperada paixão entre ele e Rachel Welch o motor suficiente pra fazê-lo escutar o conselho de seu irmão: "Deixe a vida criminosa e vá fazer uma família". O xerife, quando consegue prender o bando, pede a mão da bela mulher, mas ela recusa, ainda que ele seja honesto e devoto a ela. Ela prefere o criminoso. Este, em claro processo de redenção, acaba morto (junto com seu irmão), destruindo toda a esperança. Qual é a moral dessa história? Nenhuma. Ou, arrisquemos uma: a vida é cega
Utilizo como suporte didático diversos filmes, muitos deles retratam fielmente o ocorrido, outros tem a releitura do diretor, mas sempre nos servem de parâmetro para nos aprofudarmos nesse mundo mágico que é a "História". Nesse blog colocarei a minha visão de cada filme que utilizo em minhas aulas, com dicas também de sites e de livros que possam auxiliar a quem gostaria de se aprofundar no assunto. Pedagoga e professora de História e Sociologia, iniciante no mundo dos blogs,amo minhas amigas (algumas são irmãs que escolhi), Adoro ler, descobrir, aprender, compartilhar... Uma frustração... não saber desenhar, uma alegria... meus filhos e minha Holly, um defeito...querer tudo pra "ontem" (mas sei esperar... rs), uma virtude... a certeza que sempre há algo novo a aprender, e não desistir nunca!!!Tenho dificuldade em dizer não sem me sentir culpada, mas estou aprendendo... Adoro animais, dançar, teatro, cinema, conversar sobre filosofia, política, religião, amo chocolate, John Travolta, Elvis, Senna e Marcos (goleiro do Palmeiras). E por fim, já ia me esquecendo, sou uma pessoa que tenho um ótimo senso de humor... somente três coisas me fazem perdê-lo... atraso, hipocrisia e mentira.